
BRASIL, 20 de agosto de 2026 — O jornal O Globo fez um levantamento e descobriu que 1,8 mil candidatos mudaram sua autodeclaração de raça ou cor. A análise comparou os dados de 2026 com os do pleito anterior. Foram examinados 20,5 mil inscritos. Desse total, 11,3 mil já haviam disputado eleições antes.
A mudança mais comum foi de branco para pardo. Foram 769 casos nesse sentido. Já 695 candidatos fizeram o caminho inverso: saíram de pardo para branco. Além disso, 258 passaram de pardo para preto e 251 de preto para pardo. Em menor número, 34 mudaram de branco para preto, 21 de pardo para indígena e 19 de branco para amarelo.
O estudo também identificou 67 candidatos com três ou mais autodeclarações diferentes ao longo da carreira. Um exemplo é Aloísio Gama de Santana (PT-SP), candidato a deputado estadual. Ele já disputou cinco eleições e usou quatro classificações distintas: branco, preto, pardo e indígena. Em 2026, ele voltou a se declarar preto.
Outros políticos também alteraram a autodeclaração entre branca, preta e parda. Enfermeira Cida Amaral (Avante-MS), Zé Raimundo (PT-BA) e Jordano Metalúrgico (PSTU-MG) são alguns deles. Em 2022, todos se declararam pretos. Neste ano, mudaram para pardos.
Apesar das mudanças individuais, o perfil racial geral dos candidatos se manteve parecido com o de 2022. Brancos representam 48,7% do total. Pardos somam 36,2% e pretos, 13,6%. Indígenas são 0,9% e amarelos, 0,5%. Em relação a 2022, houve leve aumento de brancos e pardos. Já a participação de pretos caiu 0,5 ponto porcentual.
A distribuição racial varia entre os partidos. O PL tem a maior proporção de brancos: 61%. Missão e PP vêm em seguida. Já Psol, PCB e Rede têm menos candidatos brancos. No Psol, por exemplo, brancos são 34,9%; pardos, 31,3%; e pretos, 30,5%.
O Democracia Cristã (DC) lidera em mudanças de autodeclaração. Foram 109 alterações entre 754 candidatos, ou 14,5%. Agir e Partido Verde (PV) também aparecem no topo da lista.
Esses dados são importantes por causa da lei eleitoral. A regra determina que 30% dos recursos públicos vão para candidaturas de pretos, pardos e indígenas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a autodeclaração influencia a distribuição do dinheiro.
Partidos que não cumpriram a cota em eleições passadas terão que compensar os valores nas próximas quatro disputas, a partir de 2026.







