
BRASÍLIA, 30 de setembro de 2026 — Quase dez meses desde que a Polícia Federal apreendeu o celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), a perícia do aparelho está longe de esgotada.
A reportagem apurou que o material recuperado “tem muito a revelar” sobre a rede de acesso e influência que ela teria construído com integrantes do governo federal.
A expectativa de investigadores é que uma eventual convocação de Lulinha para depor só deva ocorrer depois das eleições. O argumento para a demora é que ainda há muitos dados para serem analisados e o filho do presidente terá que se deslocar da Espanha, onde mora, para o Brasil.
Mas a reportagem apurou que o calendário de investigações também sofre influência política, pois o depoimento pode criar um possível fato político e tirar votos de Lula nas eleições.
A manobra ocorre em um momento de desgaste interno na PF, onde parte dos policiais quer acelerar as investigações enquanto outra ala tenta blindar o governo de desgaste.
Em paralelo, o governo vem tentando tirar o foco de Lulinha na reta final do primeiro turno, segundo analistas. Lula primeiro criou polêmica com a proibição das Bets, as casas de aposta on-line, que ele mesmo havia regulamentado.
Depois reforçou a notícia falsa lançada por ativistas pró-Lula e por uma jornalista da GloboNews de que Flávio Bolsonaro (PL) retiraria o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A Rede Globo se retratou após a divulgação das fake news.
Quanto ao caso Lulinha e Roberta, fontes a par das apurações dizem que os inquéritos podem ganhar ritmo mais acelerado somente após o fim do mês, após o segundo turno.
A quebra de sigilo do celular produziu um volume de mensagens capazes de reconstituir parte de uma suposta rede de acesso ao governo, mas o material extraído e documentos apreendidos ainda dependem de muitos cruzamentos e checagens. Mas a PF teria capacidade técnica para acelerar o ritmo das apurações, se o caso fosse prioridade.
A lobista e Lulinha negam que tenham agido para promover tráfico de influência. Dizem ter apenas uma relação de amizade.
O QUE A QUEBRA DE SIGILO JÁ REVELOU
O material recuperado do celular de Roberta descreve o que para investigadores seria um balcão de negociação de acesso ao Estado. Documentos apontam movimentações que somariam milhões em negociações e articulações envolvendo a lobista. Entre os episódios estaria a coordenação de repasses em dinheiro vivo.
Roberta teria orientado um operador financeiro a fazer depósitos fracionados na tentativa de driblar alertas bancários, chegando a determinar que valores em espécie fossem “diluídos” entre diferentes contas para não levantar suspeita das instituições financeiras.
As mensagens também indicariam pagamentos a nomes específicos do entorno palaciano. O ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, teria recebido quase R$ 250 mil de Roberta. Ele afirma que se tratava de empréstimo pessoal já devolvido.
Servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social também teriam recebido depósitos poucos meses antes de uma empresa de tecnologia, representada por ela, fechar contratos com a pasta, que somam mais de R$ 50 milhões.
Outro nome é o de Swedenberger Barbosa, o Berger, hoje chefe de gabinete adjunto da Presidência, a quem a lobista teria presenteado com uma pintura e um relógio. Ele nega ter recebido vantagem indevida e também afirma nunca ter atuado para favorecer negócios ligados à Roberta ou seus interlocutores.







