
BRASIL, 18 de agosto de 2026 — A inadimplência entre empresas bateu recorde em junho de 2026. Dados da Serasa Experian mostram que 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados. As dívidas somaram R$ 232,9 bilhões. Ambos os indicadores são os maiores desde 2016, quando a série histórica começou.
Em maio, eram 9 milhões de empresas devedoras, com R$ 229,9 bilhões em débitos. Portanto, houve crescimento de um mês para o outro. Em média, cada CNPJ negativado tem 7,3 contas em atraso. O valor médio por dívida é de R$ 25.508,96.
As micro e pequenas empresas são as mais afetadas. Elas concentram 8,7 milhões dos devedores, ou seja, 95% do total. O setor de serviços responde por 55,7% dos casos. Em seguida, vem o comércio, com 32,2% das ocorrências.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona o cenário ao endividamento das famílias. O número de pessoas físicas negativadas chegou a 83,9 milhões em julho. Além disso, o comprometimento da renda familiar com contas e parcelas alcança 74,6%. Entre as faixas de menor renda, esse índice chega perto de 90%.
A inflação alta e a taxa Selic em dois dígitos também dificultam a situação. Desde 2022, a taxa básica de juros permanece acima de 10%. Entre março e junho, o Banco Central reduziu a Selic de 15% para 14%. Mesmo assim, o crédito ainda está caro para as empresas.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, citou programas de renegociação. O Pronampe realizou 185 mil repactuações, que somam R$ 26 bilhões. Já o ProCred360 registrou 47 mil negociações, no total de R$ 2 bilhões.
Os programas buscam ajudar micro e pequenos empresários a quitar suas dívidas.







