RISCO DE FALÊNCIA

Grupo que controla Tok&Stok pede recuperação para não falir

Andre Reis
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TOK&STOK
Grupo Toky, controlador da Tok&Stok, pede recuperação judicial. Varejista cita juros elevados e endividamento de famílias como causas; dívida passa R$ 1 bilhão.

BRASIL, 12 de maio de 2026  O Grupo Toky, controlador das varejistas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

A informação foi divulgada nesta terça (12), pela própria companhia. O conselho de administração autorizou a decisão em reunião realizada no último domingo (11).

A empresa informou, em comunicado ao mercado, que o pedido foi apresentado “em caráter de urgência”. Ele inclui também as subsidiárias do grupo.

A companhia declarou que a medida busca “preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.

Segundo a administração, o cenário macroeconômico adverso afetou diretamente o desempenho da rede varejista. A companhia citou “taxas de juros ainda elevadas”, “maior nível de endividamento das famílias” e “condições de crédito mais restritivas”.

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De acordo com o grupo, esses fatores reduziram a confiança do consumidor. Eles também levaram ao adiamento de compras.

A empresa também reconheceu dificuldades operacionais ligadas ao abastecimento de produtos. “As restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo”, informou o comunicado.

Além disso, o grupo declarou que vinha negociando uma reestruturação de dívidas com credores da Tok&Stok. No entanto, admitiu que “o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”.

Conforme o CEO da Excellance, Max Mustrangi, a deterioração da situação financeira foi agravada por conflitos internos na condução da empresa.

“Os gestores do Grupo Toky focaram e priorizaram disputas societárias em vez de focar a reversão dos resultados financeiros e a geração de caixa operacional”, afirmou ele. Mustrangi disse que a dívida acumulada chegou a mais de R$ 1 bilhão. Ele classificou a situação como “um grave erro de prioridades invertidas e disputa de poder”.

De acordo com a companhia, o objetivo da recuperação judicial é “viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social”.

A medida também cria condições para renegociar obrigações financeiras com credores, trabalhadores e acionistas. O pedido tramita sob segredo de Justiça.

A empresa informou que a recuperação judicial ainda precisará ser ratificada em assembleia-geral extraordinária. A convocação dessa assembleia já foi aprovada pelo conselho de administração. Mustrangi avaliou que o pedido amplia a possibilidade de mudanças estruturais na companhia.

“Com a entrada de fato em recuperação judicial, a possibilidade de futura mudança de controle é elevadíssima”, afirmou o executivo.

Ele também alertou para o risco de descontinuidade do negócio no atual cenário econômico.

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