
BRASÍLIA, 22 de maio de 2026 — O governo Lula liberou R$ 27 bilhões em emendas parlamentares desde o início do ano. Esse volume representa mais da metade do total reservado para 2026, estimado em R$ 50 bilhões.
O empenho ocorreu antes do anúncio de um novo bloqueio de despesas no Orçamento, previsto para esta sexta (22). A estratégia protegeu os recursos já empenhados de um eventual congelamento.
O governo consegue, dessa forma, pagar os valores mesmo em meio às restrições fiscais discutidas pela equipe econômica. O Executivo ainda pode atrasar o desembolso no caixa. No entanto, não consegue mais bloquear formalmente esses montantes.
A legislação, conforme informa o Ministério do Planejamento e Orçamento, prevê que as emendas parlamentares também podem sofrer contenção proporcional em situações de necessidade fiscal.
PRESSÃO POLÍTICA E CALENDÁRIO
O avanço das liberações ocorre em um momento de aumento da pressão política sobre o governo. Parlamentares e prefeitos intensificaram as cobranças, especialmente em ano pré-eleitoral. Lula sancionou um calendário que prioriza o pagamento de emendas ainda no primeiro semestre.
Nesta quinta (21), o Congresso Nacional também derrubou um veto presidencial. A medida liberou doações de dinheiro, bens e benefícios para municípios durante o período eleitoral, flexibilizando restrições previstas na legislação.
Dos R$ 27 bilhões empenhados, R$ 18 bilhões correspondem a emendas individuais de deputados e senadores. Além disso, R$ 6 bilhões são emendas de bancada. Por fim, R$ 3 bilhões vieram de comissões parlamentares. Até agora, R$ 12 bilhões foram efetivamente pagos.
Os R$ 22,9 bilhões restantes ainda podem sofrer atraso na liberação financeira. Esses valores, porém, já escaparam de eventual bloqueio orçamentário.







