
BRASÍLIA, 05 de agosto de 2026 — O governo federal pode precisar de R$ 288 bilhões acima do limite em 2026. Quem diz isso é a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado. Então, a União teria que contrair mais empréstimos para cobrir despesas do dia a dia.
A Constituição proíbe o governo de fazer novas dívidas para pagar gastos correntes. Isso inclui salários, aposentadorias e benefícios sociais. Esses custos deveriam ser pagos com receitas próprias da União. Os empréstimos, em tese, seriam usados apenas para obras e investimentos de longo prazo.
Desse total, R$ 185,5 bilhões vêm de programas sociais. Estão na conta o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Renda Mensal Vitalícia. Além disso, o governo já autorizou R$ 102,5 bilhões para outras despesas que também furam o limite.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explicou que a projeção inicial era pior. O rombo poderia chegar a R$ 313,5 bilhões. Porém, após ajustes ao longo do ano, a estimativa caiu para os atuais R$ 288 bilhões.
Apesar do alerta, o governo não fica automaticamente impedido de pagar as contas. A própria Constituição prevê uma exceção. O Congresso Nacional pode autorizar o descumprimento da regra por meio de votação. Por isso, a IFI afirma que esse mecanismo deixou de ser raro. Ele é usado todos os anos desde 2019.
O Ministério da Fazenda tem um cálculo mais otimista. A pasta projeta uma necessidade extra de R$ 180,6 bilhões para 2026. Esse valor é R$ 107 bilhões menor que o da IFI.
A diferença ocorre porque cada órgão usa métodos distintos para estimar receitas e despesas do governo.







