
BRASÍLIA, 16 de julho de 2025 – O governo Lula interrompeu a divulgação de dados sobre o pagamento de honorários advocatícios na Advocacia-Geral da União (AGU), que já somam R$ 2,5 bilhões desde dezembro de 2024.
A decisão afeta a transparência sobre como os valores foram distribuídos entre os servidores das três carreiras da AGU. Os dados deixaram de ser atualizados no Portal da Transparência.
Entre os beneficiados com os pagamentos está o próprio ministro-chefe da AGU, Jorge Messias, que recebeu R$ 31,8 mil em outubro, último mês com informações públicas disponíveis. Servidor de carreira desde 2006, Messias passou a ter seus recebimentos mantidos sob sigilo a partir de sua própria gestão.
VALORES MILIONÁRIOS
No último mês com dados abertos, 33 servidores receberam mais de R$ 100 mil em honorários. Marcos da Rocha liderou com R$ 517.008,39, seguido por Maria da Conceição Carvalho do Prado, que obteve R$ 496.278,49. Esses valores, segundo o portal, eram pagos regularmente até a suspensão das informações.
Além disso, mudanças nas regras internas da AGU elevaram os ganhos. A partir de agora, o terço adicional de férias passou a incluir os honorários advocatícios no cálculo, o que ampliou significativamente os rendimentos de integrantes da instituição.
PROMESSA DESCUMPRIDA
O sigilo contraria a proposta de campanha do presidente Lula (PT), que havia prometido anular medidas semelhantes adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). O então candidato petista afirmou que faria um “revogaço” dos sigilos impostos por seu antecessor.
Mesmo com a adoção de um discurso contra os chamados supersalários, a gestão Lula não reverteu a prática dentro da AGU. Enquanto isso, a bancada petista na Câmara apresentou um projeto de lei para limitar os “penduricalhos”, que inflacionam os vencimentos de servidores, especialmente no Judiciário.







