
BRASÍLIA, 30 de julho de 2026 — O Ministério da Justiça decidiu manter em sigilo por cem anos os registros de visitas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ele ficou detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília entre março e junho deste ano. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
O ministro Wellington César Lima e Silva tomou essa decisão depois de um recurso baseado na Lei de Acesso à Informação. Ele argumentou que é preciso proteger a intimidade e a vida privada de Vorcaro e de seus visitantes. A ouvidoria do Ministério também disse que os dados revelam vínculos familiares, afetivos, sociais ou profissionais.
A Justiça transferiu Vorcaro para a PF enquanto ele negociava uma colaboração premiada. Como as negociações não deram certo, os agentes o levaram em junho para um batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Na época, a ida e vinda de advogados ligados a políticos na cela do banqueiro incomodou os investigadores.
O advogado Bruno Morassutti, da organização Fiquem Sabendo, criticou a decisão. Ele disse que a privacidade não pode ser usada quando há interesse público envolvido. Para ele, Vorcaro é uma figura politicamente importante por causa das investigações sobre o Banco Master.
O governo Lula usou os mesmos argumentos que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já havia usado antes. Alcolumbre também escondeu por cem anos as visitas de um lobista no Senado. Nos dois casos, a defesa foi a mesma: a Lei Geral de Proteção de Dados e o decreto da Lei de Acesso à Informação.
A PF e o Ministério da Justiça afirmaram que a fama de Vorcaro não é motivo suficiente para abrir os dados. Eles disseram que não bastam alegações genéricas sobre notoriedade ou interesse social para quebrar o sigilo.







