PREMIADO

Governo Lula dá honraria a diplomata que assediou funcionária

Andre Reis
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Diplomata Rubem
Diplomata Rubem Mendes de Oliveira recebeu comenda da Ordem de Rio Branco em abril, quatro anos depois de beijar funcionária sem consentimento no Egito.

BRASÍLIA, 09 de setembro de 2026 — O governo do presidente Lula concedeu uma honraria a um diplomata que foi punido por assédio sexual. Rubem Mendes de Oliveira recebeu o título de comendador da Ordem de Rio Branco em abril deste ano. A condecoração foi publicada no Diário Oficial da União e assinada por Lula e pelo ministro Mauro Vieira.

O episódio aconteceu em 28 de fevereiro de 2022, no Cairo, Egito. Rubem era o número 2 da embaixada brasileira na época. Ele beijou na boca uma funcionária egípcia de 23 anos sem o consentimento dela.

A jovem foi ao escritório do diplomata para se despedir antes de viajar para o Haiti. Ele pediu um beijo de despedida, e ela achou que seria no rosto. Então, ele a beijou na boca.

A funcionária disse que ficou em choque e saiu da embaixada chorando. No dia seguinte, Rubem mandou uma mensagem pedindo desculpas e dizendo que estava envergonhado. Ele também confessou o beijo durante o processo administrativo aberto pelo Itamaraty.

No início, o Itamaraty classificou o caso como assédio sexual. Porém, no relatório final, a comissão disciplinar mudou o entendimento. Ela concluiu que não houve assédio porque o diplomata não teria agido com a intenção de se aproveitar do cargo.

Mesmo assim, o órgão reconheceu que houve uma conduta incompatível com a moralidade administrativa.

Em dezembro de 2022, Rubem foi condenado a 40 dias de suspensão. Mas a punição foi convertida em multa. O Itamaraty justificou que a ausência dele poderia prejudicar o trabalho da embaixada no Haiti.

Apesar da punição, a carreira de Rubem não parou. Depois do Cairo, ele trabalhou em Porto Príncipe, no Haiti. Depois, foi transferido para Berna, na Suíça. Nas duas missões, ele ocupou cargos de chefia. O diplomata recebe cerca de R$ 100 mil por mês, entre salário e verbas indenizatórias.

O Itamaraty não quis comentar a condecoração. A pasta só disse, em reportagens anteriores, que o servidor foi punido por suas condutas.

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