
BRASÍLIA, 09 de setembro de 2026 — O governo do presidente Lula concedeu uma honraria a um diplomata que foi punido por assédio sexual. Rubem Mendes de Oliveira recebeu o título de comendador da Ordem de Rio Branco em abril deste ano. A condecoração foi publicada no Diário Oficial da União e assinada por Lula e pelo ministro Mauro Vieira.
O episódio aconteceu em 28 de fevereiro de 2022, no Cairo, Egito. Rubem era o número 2 da embaixada brasileira na época. Ele beijou na boca uma funcionária egípcia de 23 anos sem o consentimento dela.
A jovem foi ao escritório do diplomata para se despedir antes de viajar para o Haiti. Ele pediu um beijo de despedida, e ela achou que seria no rosto. Então, ele a beijou na boca.
A funcionária disse que ficou em choque e saiu da embaixada chorando. No dia seguinte, Rubem mandou uma mensagem pedindo desculpas e dizendo que estava envergonhado. Ele também confessou o beijo durante o processo administrativo aberto pelo Itamaraty.
No início, o Itamaraty classificou o caso como assédio sexual. Porém, no relatório final, a comissão disciplinar mudou o entendimento. Ela concluiu que não houve assédio porque o diplomata não teria agido com a intenção de se aproveitar do cargo.
Mesmo assim, o órgão reconheceu que houve uma conduta incompatível com a moralidade administrativa.
Em dezembro de 2022, Rubem foi condenado a 40 dias de suspensão. Mas a punição foi convertida em multa. O Itamaraty justificou que a ausência dele poderia prejudicar o trabalho da embaixada no Haiti.
Apesar da punição, a carreira de Rubem não parou. Depois do Cairo, ele trabalhou em Porto Príncipe, no Haiti. Depois, foi transferido para Berna, na Suíça. Nas duas missões, ele ocupou cargos de chefia. O diplomata recebe cerca de R$ 100 mil por mês, entre salário e verbas indenizatórias.
O Itamaraty não quis comentar a condecoração. A pasta só disse, em reportagens anteriores, que o servidor foi punido por suas condutas.







