
BRASÍLIA, 04 de maio de 2026 — O governo Lula lançou nesta segunda (4) o programa Desenrola 2.0. A iniciativa proporciona descontos e renegociação de débitos para brasileiros inadimplentes. O anúncio ocorre em ano eleitoral. O país registra 81,7 milhões de devedores, conforme o Mapa da Inadimplência da Serasa divulgado em março.
O endividamento influencia a rejeição ao presidente Lula. Esse fator impede que a população perceba os bons indicadores econômicos. As últimas pesquisas de intenção de voto mostram Lula tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro. O programa será lançado a sete meses do início das campanhas eleitorais de 2026.
DESENROLA ORIGINAL
O Desenrola Brasil original não conseguiu reduzir a inadimplência de forma duradoura. O programa renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 14,8 milhões de pessoas. No entanto, para cada real renegociado, o sistema financeiro registrou R$ 1,15 em novas dívidas vencidas.
Desde o encerramento da primeira edição, o estoque de calotes de pessoas físicas aumentou R$ 61 bilhões. A taxa de inadimplência havia caído para 5,5% ao fim do programa. Esse índice subiu para 6,9% posteriormente. Além disso, a taxa média de juros para pessoas físicas passou de 52,6% ao ano para 62,6%.
DÍVIDAS CONTEMPLADAS
O presidente Lula anunciou quais dívidas poderão ser negociadas no Desenrola 2.0. A lista inclui Fies, cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. Sobre o Fies, Lula afirmou que “não dá para tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”.
Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação mostram que cada aluno inadimplente deve, em média, R$ 46 mil. Os contratos ativos somam R$ 93,8 bilhões a pagar ao erário. A inadimplência atingiu 59,3% em 2024. Isso significa que seis em cada dez estudantes financiados estão em atraso.
Os inadimplentes também poderão usar parte do FGTS para quitar as dívidas. O programa permite o uso de até 20% do valor do fundo. O FGTS foi criado para proteger o trabalhador no desemprego. Agora, o dinheiro serve para cobrir o que os juros cobram antes.
Por fim, o governo não atingiu as metas internas previstas pelo Palácio do Planalto. As metas se referiam ao campo de tratativas de dívidas pessoais.







