ESQUEMA DIVINO

Edir Macedo injeta R$ 1,5 bi no Digimais para vender banco

Andre Reis
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Edir Macedo
Aporte de Edir Macedo visa cobrir déficits e facilitar venda. Polícia Federal apura instituição por suspeitas de fraudes semelhantes às do extinto Banco Master.

BRASIL, 21 de julho de 2026  O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono da Rede Record, investiu R$ 1,5 bilhão no Banco Digimais. O objetivo é cobrir os rombos do balanço e viabilizar a venda da instituição. As informações são do jornal O Globo.

BTG Pactual e Banco Safra estão entre os possíveis compradores. A capitalização serve para limpar as contas do banco e destravar as negociações. Até agora, não há anúncio de venda concluída. Também não há detalhes sobre preço ou formato da operação.

O aporte acontece em meio a uma crise no Digimais. Em junho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem. A PF acusa o banco de inflar artificialmente seus ativos. O objetivo seria esconder uma situação de insolvência.

A representação da PF indica que o Digimais seguiu o mesmo padrão de fraudes do extinto Banco Master. O documento mostra como a diretoria manipulou registros contábeis. A intenção era criar uma falsa aparência de liquidez. Assim, a real situação financeira ficava oculta.

A PF afirma que o banco adotou práticas financeiras temerárias. O modelo consistia em captar dinheiro no mercado de forma massiva. O banco oferecia CDBs com taxas de retorno muito acima da média.

A diretoria se aproveitava da confiança dos depositantes. Então, superavaliava ativos com a emissão de títulos de rentabilidade desproporcional. O objetivo central era ocultar a deterioração da carteira de crédito.

A PF encontrou conexões diretas entre o Digimais e o Master. Em janeiro de 2025, um ex-executivo do Master tentou comprar o banco de Edir Macedo. A holding Bluebank fez a oferta, mas o Banco Central vetou o negócio.

Os agentes descobriram que o Digimais alocou R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios ligadas ao Master. Para a corporação, manter esses créditos de origem duvidosa indica gestão fraudulenta.

Com base nessas descobertas, a Justiça bloqueou mais de R$ 670 milhões. Os valores pertencem a dez alvos ligados ao esquema. O líder religioso não recebeu mandados de busca e apreensão por morar no exterior. Mesmo assim, ele é alvo da investigação.

A Justiça quebrou seu sigilo fiscal e congelou seus bens pessoais.

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