
BRASÍLIA, 13 de agosto de 2026 — O Discord classificou como “prematura” a decisão da ANPD de suspender as transmissões ao vivo na plataforma. A informação é do jornal Folha de S.Paulo. A empresa afirma que recebeu o processo na última sexta (7). Ela ainda estava dentro do prazo para apresentar sua defesa à autoridade.
A ANPD é um órgão do governo federal. A agência está ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em nota, o Discord disse estar “desapontado” com a medida. A empresa afirmou que mantinha diálogo ativo com o governo. A plataforma também contestou a caracterização feita pela ANPD sobre sua atuação. Segundo a empresa, a descrição “não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários”.
A fiscalização da ANPD investiga possíveis falhas do Discord no cumprimento do ECA Digital. A lei trata da proteção de crianças e adolescentes. A suspensão das lives foi determinada nesta quarta (12).
O motivo foi a morte de uma jovem de 13 anos. Ela teria sido induzida por outros adolescentes à automutilação e ao suicídio em cenas exibidas na plataforma.
O Discord afirmou que investigou e derrubou o servidor privado onde ocorria o incentivo à automutilação. A empresa explicou que abriu o servidor apenas para convidados. A equipe removeu a página logo depois da criação, antes da morte da adolescente.
A empresa também diz ter encontrado evidências de que os criminosos coordenaram a atividade em outras plataformas. Eles criaram o servidor no Discord depois. Segundo a companhia, o grupo manteve a conduta nesses ambientes mesmo após a equipe atrapalhar suas ações e banir os envolvidos.
Com a decisão da ANPD, o Discord tem três dias úteis para cumprir a suspensão das lives e de outros recursos semelhantes. A medida vale até a empresa comprovar ações efetivas para proteger crianças e adolescentes.
O Discord informou que manterá a cooperação com as autoridades no Brasil. A empresa destacou ações em segurança, parcerias institucionais e alinhamento com a ANPD. A AGU recebeu uma proposta do Discord com foco na proteção de menores. O governo vai analisar o documento. A proposta pode resultar em um Termo de Ajustamento de Conduta.
Porém, a busca por um acordo não impede sanções. A AGU ainda pode adotar medidas administrativas e judiciais. O Discord pode recorrer à Superintendência de Fiscalização em até dez dias úteis. Se a autoridade mantiver a decisão, a empresa ainda poderá recorrer ao Conselho Diretor da ANPD.







