
DISTRITO FEDERAL, 18 de abril de 2026 — Diogo Ilário de Araújo Oliveira foi demitido do cargo de Diretor Executivo de Atacado e Governo do Banco de Brasília após decisão da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, nesta semana.
O afastamento ocorreu após investigações da Polícia Federal sobre prejuízos bilionários envolvendo o Banco Master e contratos firmados durante sua gestão no BRB.
O ex-diretor integrou a administração ligada ao ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal em nova fase da Operação Compliance Zero. Além disso, Ilário participou de decisões relacionadas a operações que resultaram em perdas financeiras expressivas para a instituição.
CONTRATO COM TJ-MA
Diogo Ilário assinou, como representante legal do BRB, contrato com o desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão. O acordo transferiu do Banco do Brasil uma carteira de R$ 2,8 bilhões ao BRB, envolvendo depósitos judiciais, administrativos e fianças.
O documento, identificado como contrato nº 85/2025, também incluiu recursos destinados ao pagamento de precatórios e requisições de pequeno valor. A assinatura de Ilário ocorreu em 21 de julho de 2025, enquanto a de Froz foi registrada em 20 de agosto do mesmo ano.
Em janeiro de 2025, durante sessão do Órgão Especial do TJ-MA, o desembargador Paulo Sérgio Velten criticou a mudança da gestão desses recursos. Segundo ele, a substituição do Banco do Brasil pelo BRB em uma carteira bilionária configurou uma decisão considerada grave.
Em fevereiro, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, determinou que tribunais apresentassem informações sobre depósitos direcionados ao BRB. A medida incluiu o TJ-MA e outras cortes estaduais, após questionamentos sobre movimentações financeiras.
O pedido atendeu solicitação do advogado Alex Ferreira Borralho, que apontou possíveis irregularidades na gestão de depósitos judiciais. Dessa forma, o Conselho Nacional de Justiça passou a acompanhar o caso envolvendo valores que podem atingir bilhões.
Além disso, o BRB informou à Comissão de Valores Mobiliários que o Conselho de Administração destituiu Ilário e outros executivos. A decisão ocorreu após solicitação do governo do Distrito Federal para afastar gestores ligados ao caso Master.
MEDIDAS DO GOVERNO DO DF
A governadora Celina Leão determinou o afastamento de executivos envolvidos e autorizou a contratação de auditoria forense. O objetivo foi avaliar prejuízos e responsabilidades relacionados às operações investigadas no banco.
Segundo nota oficial, a medida não representa julgamento antecipado e busca garantir independência nas investigações. O governo afirmou que pretende assegurar transparência, proteção institucional e confiança pública durante o processo.
Por fim, o BRB comunicou o envio do relatório final da auditoria à Polícia Federal e ao Banco Central. O banco também não apresentou o balanço de 2025 dentro do prazo legal, mantendo indefinido o valor total das perdas associadas ao caso Master.







