
SÃO LUÍS, 29 de maio de 2026 — A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa do Maranhão solicitou ao Banco Central acesso a informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) sobre movimentações financeiras atribuídas ao vice-governador Felipe Camarão (PT).
O pedido foi feito no âmbito da investigação aberta para apurar denúncias envolvendo o petista, familiares e servidores estaduais ligados à Segurança Pública.
A confirmação do requerimento ocorreu nesta quinta (28), durante entrevista do deputado estadual Ricardo Arruda (MDB) ao programa “Diário da Manhã”, da Rádio Assembleia.
Segundo o parlamentar, a Comissão também aprovou pedidos de informações ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), à Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) e ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
INVESTIGAÇÃO APONTA MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS
A investigação teve início após relatórios do COAF identificarem movimentações consideradas incomuns envolvendo Felipe Camarão, familiares e servidores públicos estaduais. O procedimento é conduzido pelo Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).
De acordo com o Ministério Público, foram encontrados mais de R$ 4,6 milhões em créditos além dos rendimentos salariais declarados. Além disso, o procedimento aponta centenas de depósitos em dinheiro sem identificação de origem e operações financeiras fracionadas, prática usada para dificultar o rastreamento dos recursos.
Ainda segundo os documentos investigativos, existe a suspeita de uma rede de movimentações financeiras envolvendo terceiros. O material cita policiais militares ligados ao gabinete institucional, que teriam recebido valores, dividido quantias e realizado transferências em benefício do vice-governador.
DOCUMENTOS CITAM DESPESAS E IMÓVEIS
Outro ponto destacado na apuração envolve o pagamento de despesas pessoais por terceiros. Entre os gastos mencionados estão hospedagens, tributos e outras obrigações financeiras. Inclusive, os investigadores apontam transferências diretas e indiretas envolvendo pessoas próximas ao núcleo familiar do vice-governador.
O procedimento também identifica indícios relacionados à aquisição de imóveis de alto valor. Segundo os documentos, os bens somariam cerca de R$ 4,7 milhões e seriam incompatíveis com os rendimentos formais apresentados, além de não possuírem correspondência integral nas declarações fiscais analisadas.
Felipe Camarão nega as acusações investigadas pela CPI e pelos órgãos responsáveis pela apuração do caso.







