
BRASÍLIA, 30 de abril de 2026 — O governo federal registrou déficit primário de R$ 73,7 bilhões em março de 2026. O dado representa o pior resultado para o mês desde o início da série histórica em 1997. O Tesouro Nacional divulgou os números nesta quarta (29) por meio do Relatório do Tesouro Nacional (RTN).
Em março de 2025, o governo havia registrado superávit de R$ 1,5 bilhão. Os valores não consideram a correção pela inflação. O resultado primário acumulado em 12 meses atingiu déficit de R$ 136,5 bilhões. Esse montante equivale a 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB).
No período de janeiro a março de 2026, o déficit acumulado chegou a R$ 17 bilhões. No mesmo intervalo de 2025, o rombo havia sido de R$ 54 bilhões. Os números mostram uma melhora na comparação anual do trimestre.
O resultado negativo de março tem duas origens principais. O Tesouro Nacional e o Banco Central juntos registraram déficit de R$ 24 bilhões. A Previdência Social apresentou rombo de R$ 49 bilhões.
A receita total cresceu R$ 11,3 bilhões em março de 2026. Segundo o Tesouro, o desempenho das receitas administradas pela Receita Federal explica boa parte do aumento. O imposto de importação cresceu R$ 2,3 bilhões.
O imposto sobre a renda também subiu R$ 2,3 bilhões. O IOF teve alta de R$ 2,8 bilhões. A arrecadação líquida para o RGPS aumentou R$ 3,3 bilhões. Por outro lado, os dividendos e participações caíram R$ 1,8 bilhão.
No primeiro trimestre de 2026, a receita total subiu R$ 25,5 bilhões (3,4%). A receita líquida teve aumento de R$ 25,3 bilhões (4,2%). Os valores já estão corrigidos pela inflação. O imposto sobre a renda cresceu R$ 5,6 bilhões no período. O IOF aumentou R$ 7,8 bilhões.
Outras receitas administradas pela RFB subiram R$ 5,5 bilhões. A arrecadação do RGPS teve alta de R$ 10,4 bilhões. Dividendos e participações caíram R$ 3,4 bilhões. A exploração de recursos naturais reduziu R$ 3,7 bilhões.
As despesas totais aumentaram R$ 89,1 bilhões em março de 2026. A comparação considera o mesmo mês de 2025 com valores corrigidos.
Os benefícios previdenciários cresceram R$ 28,6 bilhões. Pessoal e encargos sociais subiram R$ 11,3 bilhões. Os benefícios da LOAS/RMV aumentaram R$ 1,7 bilhão. As sentenças judiciais e precatórios tiveram alta de R$ 34,9 bilhões. As despesas discricionárias cresceram R$ 12,3 bilhões.
No acumulado do ano, a despesa total subiu R$ 100,1 bilhões (18,3%). Os benefícios previdenciários aumentaram R$ 34,4 bilhões. Pessoal e encargos sociais cresceram R$ 16,8 bilhões. O abono e seguro desemprego caíram R$ 3,2 bilhões. O apoio financeiro a estados e municípios reduziu R$ 2,5 bilhões.
As sentenças judiciais e precatórios subiram R$ 35,2 bilhões. As despesas discricionárias aumentaram R$ 18,1 bilhões.







