SUFOCO DE MILHÕES

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida

Fonte: EXAME
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Chilli Beans
Chilli Beans protocolou pedido para renegociar uma dívida financeira impulsionada pelas altas taxas de juros e pelo aumento da inadimplência de franqueados.

BRASIL, 02 de novembro de 2026 — A Chilli Beans, rede brasileira de óculos e acessórios fundada pelo empresário Caito Maia, está protocolando nesta sexta-feira, 30, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida financeira de R$ 340 milhões.

A companhia chegou a um acordo com seus principais credores e prevê receber um aporte de até R$ 50 milhões para financiar sua reestruturação e sustentar os próximos passos de crescimento.

O plano apresentado prevê novos prazos e condições para o pagamento das dívidas com instituições financeiras. Segundo a empresa, fornecedores, funcionários e demais parceiros não estão abrangidos pelo processo.

O acordo envolve o Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset, que atuam como financiadores âncoras e coordenam a entrada de novos recursos na companhia.

A medida ocorre em um momento de reorganização financeira da marca, que se prepara para completar 30 anos em 2027 e mantém planos de expansão no Brasil e no exterior.

“Estamos muito otimistas, lançando produtos incríveis, abrindo novas lojas na América Latina e prontos para celebrar três décadas de história em 2027 com a energia que é a nossa maior característica”, afirma Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans.

Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans: “Eu sempre tenho boas expectativas para a Chilli Beans, mas ano que vem será um período de muito mais foco em qualidade e eficiência do que quantidade, especialmente em períodos de taxas de juros tão elevados” (Leandro Fonseca /Exame)

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POR QUE A CHILLI BEANS PEDIU RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL?

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas negociar diretamente com seus credores novas condições para o pagamento de dívidas.

Diferentemente da recuperação judicial, o processo é conduzido inicialmente fora da Justiça, com a negociação de um plano entre a companhia e seus credores. Posteriormente, o acordo é submetido ao Judiciário para homologação.

No caso da Chilli Beans, a iniciativa busca reorganizar a estrutura de capital e permitir que a companhia concentre seus recursos na operação e em sua estratégia de crescimento.

A empresa não detalhou as condições específicas para o pagamento dos R$ 340 milhões, como eventuais descontos, prazos de carência ou cronograma de quitação.

Segundo Maia, a decisão ocorre após um período de dificuldades enfrentadas pela companhia em meio aos desafios do varejo brasileiro.

“Este tem sido um período desafiador para o varejo brasileiro. Passamos por um momento difícil, mas saímos ainda mais fortes e conscientes do que representamos para milhares de consumidores e centenas de parceiros”, afirma o empresário. “Agradeço o carinho que tenho recebido de todos. Isso não só me manteve confiante, como me deu a certeza de que sairíamos ainda melhores de tudo isso”, diz.

Os juros elevados foram um dos fatores que levou a Chilli Beans a acumular uma dívida de R$ 340 milhões, segundo Caito.

“Foi uma combinação de fatores, mas especialmente dois fatores pesaram muito. O primeiro foi o aumento brutal dos juros, que atingiu os franqueados e também encareceu a dívida da companhia. Isso pressionou o caixa e criou uma bola de neve. O segundo foi o salto da inadimplência de parte da rede franqueada, que saiu de um patamar histórico próximo de 3% e chegou a cerca de 22%, no período pós-pandemia”, afirma o empresário.

Hoje, Caito afirma que a rede está em uma situação melhor, com percentual de inadimplência na faixa dos 4%. “Isso, aliado ao nosso crescimento em vendas, e as iniciativas que estamos tomando, nos dão segurança para dizer que devemos voltar a crescer em breve”, afirma.

O faturamento da Chilli Beans cresceu de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025, uma alta acumulada de 12,36%, mas para 2026 a expectativa é chegar a R$ 940 milhões, uma queda de 6% em comparação ao último ano.

QUEM VAI INVESTIR R$ 50 MILHÕES NA CHILLI BEANS?

Além da renegociação da dívida, o acordo prevê a entrada de até R$ 50 milhões em novos recursos, que serão disponibilizados pelos próprios credores envolvidos na reestruturação.

O Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset participam da coordenação desse financiamento, que deverá ajudar a empresa a executar seu plano de reorganização.

Para Andre Dela Togna, vice-presidente responsável pelas operações da Chilli Beans, a injeção de recursos representa um passo importante para a continuidade dos negócios.

“O novo investimento, que será realizado pelos próprios credores, reforça a confiança do mercado no potencial da empresa e representa um impulso para a execução de nossa estratégia de crescimento”, afirma.

Na avaliação de Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, a renegociação permitirá à companhia adequar suas obrigações financeiras à atual realidade do negócio.

“Entendemos que a renegociação com credores permitirá a companhia readequar sua estrutura de capital à realidade atual do negócio, criando condições para que possa concentrar seus esforços na operação, fortalecer sua relação com franqueados e fornecedores e retomar uma trajetória de crescimento sustentável”, diz.

A Vega Asset, outro credor envolvido no processo, também aposta na recuperação da empresa.

“Acreditamos nos fundamentos sólidos da Chilli Beans, uma marca icônica, reconhecida, com uma história de 30 anos. A capacidade de seu fundador e CEO também é amplamente reconhecida não só no mercado, mas também entre os consumidores e parceiros, o que mostra toda a força da marca”, afirma Lucas Piloto, sócio da Vega Asset.

Segundo o executivo, o objetivo é preservar o valor construído pela companhia ao longo de quase três décadas e criar condições para um novo ciclo de crescimento.

A operação (de credores investindo no negócio em recuperação) tem características semelhantes às de um financiamento DIP (Debtor-in-Possession), modalidade geralmente associada a empresas em recuperação judicial. Mas como o acordo foi estruturado extrajudicialmente, a companhia afirma que o modelo é um “financiamento apoiado pelos credores”, que reforça o compromisso dos principais credores com a continuidade das operações e a recuperação financeira do negócio.

Leia mais em: https://exame.com/negocios/chilli-beans-pede-recuperacao-extrajudicial-para-renegociar-divida-de-r-340-milhoes/

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