
BRASÍLIA, 18 de agosto de 2026 — O contribuinte bancou 87% dos gastos com saúde de senadores, ex-senadores e seus dependentes em 2025. O Senado gastou R$ 40,5 milhões no período. Desse total, R$ 35,3 milhões vieram do dinheiro público.
Os próprios beneficiários pagaram apenas R$ 5 milhões, o que equivale a 12,8% da conta. Os dados são do Ranking dos Políticos, organização que monitora gastos públicos.
O sistema de saúde do Senado atendeu 629 pessoas no fim do ano passado. Eram 79 senadores, 187 ex-senadores e 363 dependentes. Enquanto esse grupo contribuiu com R$ 5,2 milhões, as despesas chegaram a R$ 40,4 milhões. Esse valor inclui indenizações, restituições, pagamentos a hospitais e tratamentos de longo prazo que começaram antes.
Luan Sperandio, diretor do Ranking dos Políticos, afirmou que o benefício não se parece com um plano de saúde comum. Ele disse que o custo por beneficiário no Senado é dez vezes maior do que na Câmara. Por isso, considerou a situação um desrespeito ao pagador de impostos.
O levantamento usou dados da Lei de Acesso à Informação e do Portal da Transparência.
Na Câmara dos Deputados, a realidade foi bem diferente. O programa Pró-Saúde atendeu 421 deputados, 62 ex-deputados e 832 dependentes. As contribuições dos beneficiários somaram R$ 8,3 milhões em 2025. Já as despesas ficaram em R$ 8,2 milhões. Portanto, houve um superávit de R$ 131 mil. As contribuições cobriram 98,4% dos gastos.
Sperandio destacou que há uma diferença enorme entre as duas Casas. Enquanto a Câmara se autofinancia, o Senado depende de recursos públicos para pagar quase R$ 9 de cada R$ 10 gastos.
O custo médio por beneficiário na Câmara foi de R$ 6,2 mil por ano. No Senado, esse valor chegou a R$ 64,3 mil anuais. Ou seja, 10,3 vezes maior. Esse número é 46 vezes superior ao investimento médio do SUS por pessoa, que é de R$ 116,50 por mês.
O Ranking dos Políticos também apontou regras generosas. Na Câmara, filhos podem ser dependentes até os 33 anos sem precisar estar matriculados em escola. Parlamentares ainda podem pedir reembolso de despesas médicas.
Diante disso, a instituição sugeriu aumentar a participação financeira dos beneficiários, rever a idade máxima dos dependentes e restringir reembolsos. Sperandio concluiu que não se trata de acabar com o benefício, mas de criar regras claras.
Ele afirmou que, enquanto o Senado não assumir mais custos, o contribuinte continuará pagando a conta.







