
MARANHÃO, 26 de janeiro de 2026 – O Brasil manteve em 2025 a posição de país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 18º ano consecutivo. Foram registrados 80 assassinatos motivados por crimes transfóbicos ao longo do ano, segundo o Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras divulgado nesta segunda (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
O número representa uma redução de 34% em relação a 2024, quando 122 mortes foram contabilizadas. Apesar da queda, o levantamento indica que a violência contra a população trans segue grave. O dossiê aponta aumento das tentativas de homicídio, que passaram de 57 para 75 em um ano, e destaca fatores estruturais que dificultam o combate aos crimes, como subnotificação, ausência de estatísticas oficiais e precariedade na cobertura jornalística em muitas regiões.
O relatório mostra que a violência se concentra na região Nordeste, com presença recorrente no Sudeste, e que a maior parte das vítimas são travestis e mulheres trans, predominantemente negras, jovens e em situação de vulnerabilidade social. Em 2025, os assassinatos ocorreram, em sua maioria, em espaços públicos, periferias e vias urbanas.
Veja os assassinatos por estados:
- Veja os assassinatos por estado em 2025:
- Ceará e Minas Gerais: 8 assassinatos cada
- Bahia e Pernambuco: 7 casos cada
- Goiás, Maranhão e Pará: 5 registros cada
- Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo: 4 casos cada
- Mato Grosso: 3 assassinatos
- Rio de Janeiro: 3 casos
- Alagoas, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul: 2 casos cada
- Espírito Santo: 2 casos
- Amazonas, Amapá, Santa Catarina e Sergipe: 1 registro cada
- Rio Grande do Sul: 1 caso
- Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins e Piauí: nenhum caso registrado
O levantamento também aponta um processo de interiorização da violência. Em 2025, 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior, enquanto 32,5% foram registrados nas capitais. Segundo a Antra, o deslocamento dos crimes para áreas com menor presença do Estado e redes de apoio amplia o risco de invisibilidade das mortes.







