POVO LESADO

Brasil paga mais caro por alimentos que país produz de sobra

Fonte: CONEXÃO POLÍTICA
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Brasil alimentos
Safra recorde, exportações em alta e armários vazios: Brasileiro paga cada vez mais caro pela comida que o próprio país produz de sobra

BRASIL, 04 de maio de 2026  O Brasil é hoje o maior exportador mundial de commodities agrícolas, tendo atingido US$ 169,2 bilhões em vendas ao exterior em 2025. Lidera as exportações globais de soja, milho, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e carne de frango.

A produção nacional é suficiente para atender as necessidades calóricas de aproximadamente 900 milhões de pessoas, mais de quatro vezes a população do país. No caixa do supermercado, apesar de toda a disparada produtiva, cerca de R$ 50 mal fecham uma cesta básica.

De junho de 2006 a dezembro de 2025, o custo da alimentação subiu 302,6% no Brasil, multiplicando por quatro, enquanto a inflação geral acumulou 186,6%. Os alimentos ficaram 62% mais caros que a inflação oficial no período.

Pesquisadores classificam a inflação alimentar como estrutural, composta por pressões permanentes que não se resolvem sozinhas e exigem mudanças no modo como a economia está organizada. A inflação de alimentos passou de -0,5% em 2023 para 8,2% em 2024.

O paradoxo tem explicação direta no modelo exportador. A prioridade dos produtores é vender para outros países e receber em dólares, em vez de abastecer o mercado interno. Em 2025, as exportações de alimentos chegaram a 209,4 milhões de toneladas, enquanto as importações ficaram em 17,7 milhões.

A área plantada com commodities de exportação cresceu mais do que o território inteiro da Alemanha nas últimas duas décadas. No mesmo período, a área dedicada a arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana encolheu de 10,22 para 6,41 milhões de hectares.

A produção de grãos na safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, recorde histórico. O número alimenta expectativas de queda nos preços internos, mas os analistas de mercado estão céticos.

Como o câmbio está favorável, os produtores tendem a ampliar as exportações em vez de direcionar o excedente para o mercado doméstico. Em 2024, como dado comparativo, a desvalorização do real chegou a 27%, aumentou a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, reduzindo ainda mais a oferta no mercado interno.

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