
BRASÍLIA, 20 de abril de 2026 — O BRB enfrenta crise de liquidez após registrar dificuldades para cumprir obrigações financeiras nos últimos meses, segundo informações divulgadas na sexta (10). O problema se intensificou após o escândalo envolvendo carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, levando o banco a buscar meios emergenciais para manter o fluxo de caixa.
Para reforçar a liquidez no BRB, a instituição recorreu à venda de carteiras de crédito consideradas de boa qualidade. No entanto, as opções imediatas têm diminuído, já que parte dos ativos está vinculada a fundos estaduais e imóveis, o que impede sua negociação rápida e reduz a capacidade de geração de recursos.
Além disso, o BRB enfrenta dificuldades para captar novos depósitos ou empréstimos, o que reduz o prazo para solução da crise de liquidez. Em nota, o banco informou que trabalha na finalização de um processo de capitalização e tem até 29 de maio para integralizar os recursos, afirmando ainda que segue operando normalmente.
Diante desse cenário, a escassez de recursos no BRB pode levar à adoção do Regime de Administração Especial Temporária pelo Banco Central. Esse mecanismo prevê intervenção direta, com suspensão de pagamentos para reorganização financeira, embora o órgão ainda não tenha se manifestado sobre o caso.
Desde o início da crise, o BRB vendeu cerca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito com descontos. Apesar disso, ainda restam aproximadamente R$ 60 bilhões em empréstimos, sendo que parte relevante não pode ser negociada de imediato, o que impacta a receita futura do banco.
TRANSPARÊNCIA E NEGOCIAÇÕES
O BRB também deixou de publicar demonstrações financeiras nos últimos nove meses e acumula multa diária desde 31 de março pela ausência do balanço de 2025. Segundo apuração, a medida busca evitar a exposição de déficit que poderia acelerar uma intervenção.
Em paralelo, o banco solicitou empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, mas ainda não apresentou a documentação exigida. Além disso, negocia a venda de ativos recebidos do Banco Master, avaliados inicialmente em R$ 21 bilhões, mas que tiveram proposta de apenas R$ 4 bilhões.
Por fim, a governadora Celina Leão busca apoio federal para o BRB, enquanto o governo orientou que bancos públicos não adquiram ativos nem concedam empréstimos à instituição.
O caso segue em andamento, com necessidade de definição sobre alternativas para a liquidez do BRB.
CONTRATO COM O TJMA
O Tribunal de Justiça do Maranhão firmou contrato de R$ 15 milhões com o BRB para administrar recursos judiciais. O acordo, com vigência inicial de cinco anos, foi realizado por dispensa de licitação. Assim, o banco passou a centralizar depósitos judiciais, precatórios e RPVs no estado.
Conforme o documento, o BRB realizou pagamento único de R$ 15 milhões no ato da assinatura. Além disso, assumiu o compromisso de repassar remuneração mensal variável ao tribunal. Esse valor será calculado com base nos saldos médios e terá a Taxa Selic como referência.
O contrato prevê ainda que o BRB será responsável pela operação dos sistemas, pagamentos por alvará e integração com plataformas do Judiciário. O valor inicial foi destinado ao Fundo de Reaparelhamento do Judiciário. O prazo pode ser prorrogado por mais cinco anos.
O anúncio do acordo ocorre em meio a discussões sobre segurança de depósitos judiciais em parcerias bancárias. O presidente do TJMA até agendou reunião preventiva com representantes do banco.
Além do Maranhão, outros tribunais fizeram contratos semelhantes com o BRB. Entre eles, estão Bahia, Paraíba, Alagoas e Distrito Federal.







