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Amigo de Lulinha fez acordo para evitar prisão, diz revista VEJA

Fonte: DIÁRIO DO PODER
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Amigo de Lulinha que fez R$58 milhões no governo Lula fez acordo para não ser preso. Veja destaca mensagens, contratos e acordo penal firmado pelo empresário.

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em contratos federais desde o início do atual governo.

Reportagem da revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026), dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário.

Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a “emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por Lulinha, investigado por tráfico de influência.

Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”.

Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.

Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para não ser preso por corrupção.

O MP concluiu que, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como “mal-entendido”.

Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se abster de frequentar casas de prostituição e bares.

Mesmo assim, ele visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo ocorreu “dentro da legalidade”.

O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja.

“Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também. Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.”

A reportagem da Veja se insere em uma série de apurações da PF sobre um suposto núcleo de atuação envolvendo Lulinha, Luchsinger e Bittar para interlocução de interesses privados junto a órgãos federais.

Lulinha é alvo de três inquéritos. Sua defesa tem sustentado que ele colabora com as investigações e que não cometeu ilícitos. Lula tem declarado que não interferirá nas apurações sobre o filho.

A PF segue analisando as mensagens e os contratos.

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