
BRASÍLIA, 17 de abril de 2026 — Os repasses realizados pelo Banco Master a autoridades, formalmente justificados como serviços de consultoria econômica e jurídica, entraram no radar das investigações sobre a instituição financeira.
Bancados por Daniel Vorcaro, os valores somam mais de R$ 620 milhões, segundo dados da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado e obtidos por Oeste.
A base principal dessas movimentações está nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfs) do próprio banco, que apontam o pagamento de cerca de R$ 545 milhões em honorários jurídicos a grandes bancas e estruturas de advocacia entre 2022 e 2025.
Os valores cresceram de forma acelerada ao longo dos anos: foram R$ 40 milhões, em 2022; mais de R$ 55 milhões, em 2023; saltou para aproximadamente R$ 185 milhões, em 2024; e ultrapassou R$ 260 milhões, em 2025.
Entre os principais destinatários estão os escritórios de Barci de Moraes, empresa de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com mais de R$ 80 milhões.
E não parou aí. Os advogados Walfrido Warde recebeu cerca de R$ 75 milhões; e Gabino Kruschewsky, algo em torno de R$ 55 milhões. O grupo Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht aparece com um total de quase R$ 80 milhões.
Na lista de pagamentos do Master, o escritório Lewandowski Advocacia, que pertence a familiares do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, recebeu um total de R$ 6 milhões.
Além disso, foram feitos pagamentos a Michel Temer, no montante de R$ 10 milhões, embora o próprio ex-presidente tenha declarado valor inferior. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também aparece na folha do Master, com cerca de R$ 6,5 milhões.
O advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, recebeu pouco menos de R$ 4 milhões em pagamentos destinados à sua empresa, a WF Comunicação. A empresa prestou serviços de estratégia de comunicação para a defesa do ex-banqueiro.







