
MARANHÃO, 13 de abril de 2026 – Em abril de 2024, a Operação Inauditus identificou que Luiz França Belchior Silva tomou posse como desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e, 48 horas depois, R$ 69 mil foram transferidos para a conta de seu filho, homônimo.
O valor saiu da empresa Lucena Infraestrutura, ligada a Antônio Edinaldo da Luz Lucena, investigado pela Polícia Federal. O caso ocorreu no Maranhão e integra um inquérito sobre possível negociação de sentenças.
O pagamento ocorreu antes de decisões judiciais do magistrado que beneficiaram o ex-deputado estadual Manoel Ribeiro, apontado como um dos principais alvos da Operação Inauditus. Manoel Ribeiro presidiu a Assembleia Legislativa do Maranhão por seis mandatos.
Segundo a investigação, três decisões posteriores do desembargador favoreceram o ex-parlamentar em processos analisados pela Corte estadual.
A Polícia Federal afirma que não considera a coincidência como prova conclusiva, mas ressalta que os elementos não podem ser desconsiderados. Dessa forma, os investigadores apontam uma sequência relevante entre a posse no cargo, a transferência bancária e as decisões judiciais.
O encadeamento dos fatos compõe uma das bases centrais da Operação Inauditus.
O inquérito resultou no afastamento de Luiz França Belchior Silva por 180 dias. A medida foi determinada pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, no momento da deflagração da Operação Inauditus, em 1º de abril. A decisão considerou os indícios reunidos até então pela Polícia Federal durante a apuração do caso.
Além disso, Antônio Edinaldo da Luz Lucena, sócio da empresa responsável pela transferência, foi alvo de busca e apreensão na mesma operação. A investigação indica que ele teria ligação com o esquema analisado. A atuação empresarial aparece associada ao fluxo financeiro identificado no período investigado pela Operação Inauditus.
A Polícia Federal descreve que o suposto esquema envolve magistrados, assessores, advogados e empresários. Segundo os dados do inquérito, o grupo teria utilizado a estrutura do TJMA para atender interesses privados, especialmente em disputas possessórias rurais de alto valor econômico no estado.







