
BRASIL, 17 de março de 2026 – O Exército brasileiro gastou R$ 1,27 bilhão, durante o governo Lula (PT), na compra de mísseis que combatem carros e de tanques blindados com capacidade anfíbia e canhões de maior alcance. O objetivo foi reforçar o preparo das forças terrestres diante de desafios militares atuais e de possíveis cenários futuros.
As informações foram obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo com o Exército, por meio de um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação.
Entre os equipamentos incorporados estão 220 mísseis que combatem carros. A operação, concluída em 2025, teve custo total de R$ 153,8 milhões e foi dividida em dois lotes distintos.
Um deles reuniu cem unidades do modelo Javelin FGM-148F, adquiridas a partir de negociação conduzida pela comissão do Exército brasileiro em Washington com o governo dos Estados Unidos (EUA).
O outro lote incluiu 120 mísseis 1.2 AC Max, produzidos no Brasil depois de contrato firmado com uma empresa sediada em São José dos Campos, no interior paulista.
Ao explicar a compra, o Exército declarou que a incorporação desse tipo de armamento contribui para ampliar a capacidade de dissuasão da força terrestre. De acordo com a instituição, sistemas desse tipo são considerados essenciais para consolidar linhas de defesa em operações militares em terra.
O Exército citou conflitos recentes para ilustrar a importância desse tipo de equipamento. Entre os exemplos mencionados está a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022. Segundo a avaliação militar, o confronto evidenciou o papel de mísseis portáteis capazes de interromper o avanço de colunas de carros blindados.
A instituição também mencionou confrontos que envolvem forças israelenses e grupos terroristas palestinos, afirmando que esse tipo de armamento tem sido empregado em ambientes urbanos para enfrentar forças mecanizadas superiores.
Antes de 2023, a última aquisição semelhante registrada pelo Exército havia ocorrido em 2021, quando foram comprados cem mísseis portáteis Spike LR2, de fabricação israelense.
Além dos mísseis, a força terrestre ampliou sua frota de veículos militares. Entre 2023 e 2026 foram adquiridos 163 carros blindados, a maioria pertencente ao modelo VBTP Guarani 6×6, empregado no transporte de tropas. O investimento nessa área alcançou R$ 1,12 bilhão.
Militares que participaram das discussões internas sobre essas compras afirmam que um dos fatores que aceleraram a modernização foi a tensão que envolve a Venezuela e a Guiana pela região de Essequibo. No fim de 2023, o governo do ex-ditador Nicolás Maduro intensificou movimentos políticos e militares relacionados ao território.
Avaliações de inteligência chegaram a considerar a possibilidade de uma ofensiva terrestre venezuelana contra a Guiana, cenário que poderia envolver áreas próximas ao território brasileiro.
Diante desse quadro, as Forças Armadas deslocaram aviões, tropas, carros blindados e sistemas de mísseis para o Estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela.
Na avaliação de setores militares, a crise revelou a necessidade de equipamentos mais robustos para operações em terra, sobretudo porque o Exército venezuelano utiliza tanques de origem russa.
O cenário regional sofreu nova mudança quando o presidente dos EUA, Donald Trump, determinou um ataque militar contra Caracas e ordenou a captura de Maduro, levado a Nova York para responder a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
Depois desse episódio, o presidente Lula solicitou aos militares uma análise sobre eventuais vulnerabilidades do Brasil diante de ações externas desse tipo.







