
MARANHÃO, 12 de março de 2026 – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta (12) a Operação Extinção Zero para desarticular uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico de animais silvestres ameaçados de extinção.
As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal Criminal da Bahia e incluem alvos também no Maranhão, onde suspeitos de integrar o esquema tiveram mandados cumpridos.
Ao todo, a operação cumpre 12 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Pará.
As investigações indicam que os suspeitos atuavam na captura, armazenamento, negociação e envio ilegal de animais silvestres para o exterior, especialmente espécies brasileiras ameaçadas e de alto valor no mercado clandestino internacional.
O ponto de partida das investigações foi um caso ocorrido em fevereiro de 2024, quando autoridades apreenderam, no Togo, um veleiro brasileiro que transportava 17 micos-leões-dourados e 12 araras-azuis-de-lear.
De acordo com a Polícia Federal, os animais teriam saído do Brasil com documentação da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) considerada falsa.
Além disso, as apurações revelaram que o grupo criminoso possuía uma estrutura organizada e divisão de funções, que incluía capturadores, financiadores, intermediários e compradores internacionais. Parte das atividades investigadas teria ligação com integrantes que atuavam no Maranhão e em outros estados do Nordeste e Norte do país.
As investigações apontam ainda que a organização empregava tecnologia e estratégias sofisticadas para praticar os crimes.
Entre os recursos identificados estão o uso de drones para localizar os animais, armamentos, contas bancárias de terceiros e aplicativos de comunicação criptografada para dificultar o rastreamento das atividades ilegais.
Outro ponto investigado pela Polícia Federal (PF) envolve um plano do grupo para capturar a ararinha-azul, espécie extremamente rara mantida em um criadouro conservacionista do Programa de Reintrodução. Esse criadouro está localizado no município de Curaçá, na Bahia, e o esquema visava retirar os animais do local para abastecer o mercado ilegal.
Durante as diligências da operação, a Polícia Federal contou com o apoio de órgãos ambientais como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).







