
BRASÍLIA, 06 de março de 2026 – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, mencionou a ausência de mensagens no celular de Débora Rodrigues dos Santos ao votar por sua condenação pelos atos de 8 de janeiro.
No julgamento, Moraes afirmou que a falta de conversas poderia indicar tentativa de ocultação de provas durante o período investigado pelas autoridades.
Débora foi acusada de pintar com batom uma estátua durante as manifestações registradas em Brasília. Segundo o ministro, a inexistência de diálogos no aparelho da investigada naquele intervalo demonstraria desrespeito ao Poder Judiciário e à ordem pública.
Moraes baseou parte do voto em relatório da Polícia Federal que examinou o celular da acusada. O documento registrou que não foram localizadas conversas relevantes no WhatsApp relacionadas ao objeto das investigações, especialmente no período entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023.
Entretanto, o próprio relatório da Polícia Federal não afirmou que houve exclusão comprovada de mensagens. O texto apenas indicou que a ausência de registros poderia representar um possível indício de apagamento de dados referentes às manifestações investigadas.
Além disso, a análise técnica destacou que a hipótese não era conclusiva. O relatório afirmou que a inexistência de conversas poderia indicar que Débora Rodrigues dos Santos teria apagado conteúdos do aparelho relacionados ao período das manifestações.
MENSAGENS ENTRE MORAES E DANIEL VORCARO
Informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontaram que Alexandre de Moraes enviou mensagens de visualização única ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Esse tipo de comunicação desaparece automaticamente após ser visualizado pelo destinatário.
Dados obtidos pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro, apreendido no momento de sua prisão, registraram a existência dessas mensagens. Segundo as informações, o empresário relatava a Moraes o andamento das negociações envolvendo a venda do Banco Master.
Além disso, os registros indicaram que Daniel Vorcaro também mencionou um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal em Brasília. O processo foi citado nas conversas e posteriormente resultou na prisão do ex-banqueiro.
PGR ANALISA POSSÍVEL INVESTIGAÇÃO
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, é responsável por avaliar eventual abertura de investigação sobre os fatos. A análise ocorre após a divulgação das informações sobre as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
Opositores da atuação do ministro afirmaram que o uso de mensagens que desaparecem automaticamente se assemelha ao tipo de situação citada por Moraes no julgamento de Débora Rodrigues dos Santos.
A discussão ocorre após a divulgação dos dados obtidos pela Polícia Federal.







