
BRASÍLIA, 18 de fevereiro de 2026 – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) admitiu, em um documento interno obtido com exclusividade pelo g1, que enfrenta um “ciclo vicioso de prejuízos” agravado pela perda progressiva de clientes e receitas.
De acordo com o relatório da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi), a deterioração do desempenho operacional nos últimos trimestres comprometeu diretamente a geração de caixa da estatal. Por isso, a empresa deixou de pagar R$ 3,7 bilhões a fornecedores, empregados e em tributos até setembro de 2025.
Além disso, a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo explicou que a baixa qualidade operacional reduziu a capacidade da empresa de regularizar suas obrigações financeiras. “Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas”, afirmou.
Ela acrescentou que as negociações com grandes clientes, responsáveis por mais de 50% da receita de vendas, tornaram-se extremamente sensíveis. Consequentemente, acordos foram comprometidos e os resultados esperados acabaram frustrados.
IMPACTO NO CAIXA E BUSCA POR SOLUÇÕES
O documento aponta que a insuficiência de caixa é o elemento mais crítico para a sustentabilidade da empresa no longo prazo. A situação é descrita não como um problema financeiro passageiro, mas como um sinal de que o modelo atual opera no limite entre a obrigação legal e a capacidade real de gerar valor.
Dessa forma, a redução nas receitas provocou uma queda de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa entre janeiro e setembro de 2025, uma diminuição de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para tentar contornar a crise, os Correios buscaram empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões ao longo de 2025. No entanto, a maior parte desses recursos só entrou no caixa da empresa no dia 30 de dezembro.
Enquanto isso, o relatório detalha que as entradas de caixa nos nove primeiros meses de 2025 totalizaram R$ 16,94 bilhões, contra R$ 18,37 bilhões registrados em 2024. Já as saídas somaram R$ 16,68 bilhões, uma redução significativa frente aos R$ 20,65 bilhões do ano anterior.
PROJEÇÕES DE PREJUÍZO PARA OS PRÓXIMOS ANOS
Apesar das medidas adotadas, a expectativa dos Correios é encerrar 2025 com um prejuízo de R$ 5,8 bilhões, um valor ligeiramente inferior ao déficit de R$ 6 bilhões acumulado até setembro.
O documento, porém, traz projeções ainda mais preocupantes para o futuro. Isso porque a diretoria estima que o rombo em 2026 será significativamente maior, podendo atingir a marca de R$ 9,1 bilhões.
Por fim, o relatório detalha que, caso todas as despesas correntes previstas no programa de Dispêndios Globais fossem executadas, o déficit projetado para dezembro de 2025 seria de R$ 7,9 bilhões. Esse valor, no entanto, foi posteriormente reajustado para R$ 5,8 bilhões.
Já para o fim de 2026, a projeção se mantém em um déficit de R$ 9,1 bilhões, evidenciando a persistência dos desafios financeiros enfrentados pela estatal.







