
BRASÍLIA, 09 de setembro de 2025 – O deputado estadual Catulé Júnior (PP) acusou o ex-prefeito de Caxias e atual secretário de Agricultura do Maranhão, Fábio Gentil, de comandar um grupo político que comparou a uma facção criminosa. A declaração ocorreu durante sessão plenária da Assembleia Legislativa nesta terça (9).
Segundo o parlamentar, a administração de Gentil Neto, atual prefeito de Caxias, representa a continuidade de um projeto de oito anos iniciado pelo pai. Para Catulé, os escândalos sucessivos no município expõem a fragilidade da gestão e os efeitos da corrupção.
Catulé Júnior afirmou que a Polícia Federal tem atuado com frequência em Caxias. O deputado citou episódios como a apreensão de dinheiro de propina em contratos de livros, uma operação que revelou o desvio de R$ 50 milhões da saúde e, mais recentemente, investigações ligadas à secretaria de Assistência Social social.
Ele destacou que os desvios prejudicam serviços básicos. “Esses recursos fazem falta na merenda escolar, nos medicamentos e nos postos de saúde. Isso envergonha o nosso povo”, afirmou o parlamentar.
Na oportunidade, o deputado também apontou irregularidades eleitorais. De acordo com Catulé, pessoas foram nomeadas na folha de pagamento um dia antes das eleições. Ele citou ainda denúncia contra Caue Ávila Aragão, apontado como “laranja” de Fábio Gentil. Segundo o parlamentar, houve aumento patrimonial não justificado.
Catulé mencionou a compra de postos de combustíveis e investimentos em comunicação ligados à família Gentil.
SEGUNDA DOSE
As acusações surgem no mesmo contexto da Operação Segunda Dose deflagrada pela Polícia Federal. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Caxias e resultou na apreensão de quase R$ 470 mil em espécie, além de medicamentos do Fundo Municipal de Saúde.
A principal investigada é Adriana Raquel Sousa, mãe do prefeito Gentil Neto e secretária municipal de Proteção Social. A Justiça Federal determinou seu afastamento cautelar das funções públicas e da atividade médica.
Condenação por fraude em diploma
Além da operação, Adriana Raquel já havia sido condenada pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul, em 2023, por falsificação de documento no processo de revalidação de diploma de Medicina. A sentença determinou um ano de prisão em regime aberto e pagamento de multa.
Segundo o Ministério Público Federal, a acusada apresentou diploma com carimbo falso ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul. Investigações apontaram que ela sequer havia se inscrito no Revalida de 2017.
Cobrança por exoneração
No plenário, Catulé Júnior disse que a permanência de Fábio Gentil no governo estadual constrange o governador Carlos Brandão. “Se não tiver a decência de pedir exoneração, cabe ao governador retirá-lo do cargo”, afirmou.
O deputado relembrou que Gentil já foi alvo de três operações policiais. Ele defendeu que, assim como ministros afastados pelo presidente Lula por responderem na Justiça, o secretário siga o mesmo caminho.
O OUTRO LADO
ADRIANA RAQUEL
“Hoje, 08 de setembro de 2025, fui surpreendida em minha casa pela Polícia Federal. A investigação não diz respeito à minha atuação como secretária municipal de Proteção Social, mas sim a respeito da minha atuação enquanto médica.
Minha vida sempre foi dedicada a cuidar das pessoas, especialmente das mais vulneráveis. Já provei perante a Justiça a legitimidade do meu exercício da medicina e sigo firme na certeza de que a verdade prevalecerá.
Sei que muitos têm julgado sem conhecer minha história, mas a força que recebo de minha família, pacientes, amigos e colegas me encoraja a enfrentar este momento com dignidade.
Por respeito a Caxias e para defender meu nome e minha honra, decidi me afastar temporariamente de minhas funções no Município. Confio nas instituições e tenho fé de que tudo será esclarecido.”
PREFEITO GENTIL NETO
“Acompanhei com atenção a operação da Polícia Federal na data de hoje, 08/09/25, nas unidades de saúde, na sede da Secretaria Municipal de Proteção Social e na residência da secretária de Proteção Social, minha mãe, Dra. Adriana Raquel.
Apesar do município de Caxias não ser parte da investigação, prontamente determinei a todos os servidores dos locais visitados a plena colaboração com as autoridades policiais.
A presença da Polícia Federal na residência da secretária municipal de Proteção Social, minha mãe, não significa confirmação de irregularidade. Todo cidadão tem direito à ampla defesa e ao contraditório, garantias fundamentais da nossa Constituição.
Reafirmo meu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência, bem como minha confiança no trabalho sério da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal.”







