
MARANHÃO, 27 de agosto de 2025 – O presidente Lula (PT) vem intensificando nas últimas semanas o papel de candidato declarado à reeleição, transformando atos de governo em palanque e desafiando as críticas da oposição, que o acusam de abuso da máquina pública. Um pouco mais de um ano para o início oficial da campanha de 2026, a sua postura suscitaria avaliação da Justiça Eleitoral.
Animado com sinais de reversão da impopularidade em pesquisas recentes, Lula renovou a aposta em agendas de forte apelo eleitoral, na publicidade institucional e em viagens pelo país. Em paralelo, ele buscou se aproximar de presidentes de partidos de centro – MDB, Republicanos, União Brasil e PSD –, almejando formar com eles uma aliança extraordinária para a disputa do próximo ano.
A retórica do petista também se mantém fortemente marcada pela longa polarização no país entre a esquerda liderada por ele e a direita vinculada ao seu rival, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse frente , Lula passou a explorar ostensivamente a crise comercial e diplomática com os Estados Unidos, evocando o combate de um inimigo externo aliado a outros internos.
Não por acaso, o recém-lançado pacote de ajuda às empresas afetadas pela tarifação americana, batizado de “Brasil Soberano”, ganhou peças de propaganda que exalam carga simbólica. “Do lado dos brasileiros” é o seu bordão, em reforço ao antes testado “o Brasil é dos brasileiros”. Outro fator já explorado é a desaceleração dos preços dos alimentos no supermercado.
O novo presidente do PT, Edinho Silva, também já assumiu o comando da legenda com a missão de recuperar a popularidade do governo ancorado na retórica patriótica. O partido aprovou uma resolução que criticou abertamente o presidente americano Donald Trump, tachado, logo nas primeiras linhas do documento, de liderar uma política “imperialista e de extrema-direita”.
O tom de campanha de Lula e a mobilização do governo em torno da reeleição ficaram evidentes na reunião ministerial desta terça-feira (26). De boné azul com o slogan “O Brasil é dos brasileiros” — em contraponto ao vermelho do “ MAGA ” ( “Make America Great Again” – “Tornar a América Grande Novamente”), de Donald Trump, adotado por aliados da direita —, o reforço do presidenteu a narrativa de polarização entre “defensores” e “entreguistas” da soberania nacional.
Mirando a família Bolsonaro, Lula criticou quem teria a “desfaçatez de mudar de país, negar a pátria e insuflar o ódio dos governantes americanos contra o povo brasileiro”, numa referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Pediu aos ministros que mantêm a defesa da soberania como palavra de ordem em discursos e entrevistas.
Lula ironizou saudosistas do Império — “se a gente gostasse de imperador, não tinha acabado com o Império” — e acusou Trump de agir como “imperador do mundo”. Reiterou que empresas só podem atuar no Brasil respeitando as leis nacionais. O presidente deixou claro que esse confronto deverá pautar o governo até as eleições.
Foi o segundo encontro de Lula com toda sua equipe em 2025. O petista tem mostrado mostrado com atrasos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine de investimentos do governo, admitindo até que seu eleitor não foi recebido o que foi prometido. O recebimento no Palácio do Planalto é que projetos de infraestrutura bancados pela União acabem entrando para a lista de obras inacabadas, fragilizando o discurso eleitoral e dando munição à oposição.
A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, tem tentado levar adiante as prioridades legislativas do governo para 2025, entre elas a liberada de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a chamada PEC da Segurança e a regulação das redes sociais ( big techs ). Todas essas iniciativas legislativas têm íntima relação com as estratégias de campanha do governo. Por isso, também há pressa.








Ele já têm como certo o meu voto para mais um mandato em outubro de 2026.