
BRASIL, 18 de agosto de 2026 — As mulheres são a maioria dos eleitores brasileiros em 2026. Elas somam 83,8 milhões de pessoas, ou 52,84% do total. Porém, entre os candidatos, elas representam só 35%. São quase 18 pontos percentuais abaixo da sua presença no eleitorado.
A desigualdade aumenta nos cargos mais importantes. Para governadora, são 33 mulheres (16,8%). Para o Senado, 69 (21,9%). Na disputa pela Presidência, apenas duas mulheres são candidatas: Clariana Barão (DC) e Samara Martins (UP). Além disso, cinco mulheres concorrem a vice-presidente.
Mas nenhuma das cinco chapas que lideram as pesquisas tem mulher como vice. Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos escolheram homens para essa posição.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, chegou a cogitar uma vice feminina. Ele avaliou nomes como Tereza Cristina e Daniella Marques. Porém, a estratégia não avançou. Ele escolheu o deputado Alfredo Gaspar.
A lei exige que cada partido preencha entre 30% e 70% das vagas para deputados com cada gênero. Em 2026, o número de mulheres ficou perto do mínimo: 34,8%. Por isso, o Ministério Público alerta para possíveis candidaturas falsas, usadas só para cumprir a cota.
Esse contraste se repete na ocupação do poder. Em 2022, apenas quatro mulheres foram eleitas para o Senado e 91 para a Câmara. Portanto, as mulheres continuam sendo maioria entre quem vota, mas minoria entre quem pode ser votado.
A diferença é maior nas disputas majoritárias, que dão mais visibilidade e poder político.







