Lojas Americanas demite mais de 4 mil pessoas em um mês

BRASIL, 03 de junho de 2026 — A Americanas demitiu 4,3 mil trabalhadores no último mês. No mesmo período, a empresa contratou pouco mais de 700 pessoas. O quadro total caiu para 22,8 mil funcionários em regime CLT. Dessas demissões, mil foram pedidos dos próprios empregados. O caixa disponível da rede encolheu para R$ 185,7 milhões. A diretoria usou esse dinheiro principalmente para comprar mercadorias, pagar despesas do dia a dia e fazer repasses do plano de recuperação judicial. Além disso, a empresa tem R$ 441 milhões somando títulos, aplicações e valores mobiliários. O fluxo de caixa mostra que o saldo disponível era de R$ 940 milhões no começo do ano passado. A Americanas faturou R$ 17,5 bilhões em 12 meses. Isso dá uma média de R$ 1,46 bilhão por mês. Porém, os desembolsos no período chegaram a R$ 18,3 bilhões. As despesas pesadas, então, superaram as entradas de dinheiro. A rede manteve 1,4 mil lojas ativas. Abriu uma filial e fechou outra unidade no mesmo período. A empresa também congelou a abertura de novas lojas físicas. Os cortes de vagas e o controle rígido do orçamento tentam conter as perdas acumuladas desde a descoberta do rombo bilionário nas contas.
Jorge Paulo Lemann perdeu U$ 1 bilhão em 24 horas

A descoberta de “inconsistências” que apontam para um rombo contábil da ordem de R$ 20 bilhões na Americanas atingiu em cheio o bilionário Jorge Paulo Lemann. Junto de outros dois sócios, Lemann tem uma participação de 31,13% que na companhia. A notícia, junto com a queda no valor de mercado de outras empresas, levou o bilionário a cair algumas posições no prestigiado ranking de bilionários da revista Forbes. A fortuna caiu US$ 1,01 bilhão entre ontem e hoje, de acordo com o levantamento em tempo real da publicação. Na mesma base de comparação, as ações da AB Inbev (ABEV3), que representam grande parte do patrimônio do empresário, caiu 1,33% na bolsa brasileira ontem. Por sua vez, os papéis da operadora do Burger King no Brasil, a Zamp (BKBR3), recuaram 4,91% no último pregão. Apesar do caos no mercado financeiro, Jorge Paulo Lemann segue como o homem mais rico do Brasil, mas agora conta com uma fortuna avaliada em US$ 15,8 bilhões. No ranking global compilado pela Forbes, ele passou da 106ª para a 107ª posição. A queda nas ações da Americanas não afetará a condição de multibilionário do empresário. Mas ele provavelmente ainda terá de colocar a mão no bolso para capitalizar a varejista caso seja necessário.