“Brasil usa cloroquina há 70 anos”, lembra Pazuello

PAZUELLO

Em depoimento da CPI, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, falou sobre orientações e uso da cloroquina no país, lembrando que na epidemia do zika vírus o medicamento foi recomendado até mesmo para grávidas. “O Brasil usa cloroquina há 70 anos. […] O assunto não é tão difícil de entender, que o médico olhe para a cloroquina ou hidroxicloroquina, e qualquer outro medicamento que esteja sendo usado no mundo e diga, ‘olha, acho que isso tem q ser observado, vale tentar como off label, fora da bula”, disse Pazuello, cuja informação sobre popularidade do uso do medicamento contra o novo coronavírus é procedente de acordo com enquete feita envolvendo mais de 6 mil médicos em 30 países. O ex-ministro teve que explicar aos senadores que o Brasil faz aquisição da hidroxicloroquina há muitos anos e não poderia ficar sem medicamentos, o que justifica a compra pelo governo. Após a resposta, o relator Renan Calheiros interrompeu alegando se tratar de uma resposta “objetiva demorada”, apontando que Pazuello não teria comentado sobre o uso do dinheiro público para a aquisição do “medicamento sem eficácia”. Eduardo Pazuello teve que explicar a questão novamente. Em dado momento, Eduardo Pazuello mencionou que obedeceu o Conselho Federal de Medicina, que garante a autonomia de prescrição do médico, mas que orientou os profissionais de saúde a não usarem a hidroxicloroquina na fase final da doença.

Hidroxicloroquina pode reduzir em até 60% as hospitalizações

pesquisa hidroxicloroquina

Um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos publicou um estudo no qual aponta que a utilização da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus é capaz de diminuir hospitalizações em até 60%, caso administrada logo nos primeiros sintomas. “[…] o uso precoce destes medicamentos de modo correto, sendo o paciente bem acompanhado clinicamente, traria um impacto imensurável para a saúde pública, reduzindo muito os gastos financeiros e o sofrimento dos pacientes, e com certeza evitaria a maioria dos internamentos e dos óbitos”, afirmou o responsável pelo estudo, professor Dr. Anastácio Queiroz, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Realizado entre maio e junho de 2020, o artigo foi publicado ainda no final do ano anterior pela revista científica Travel Medicine and Infectious Disease, levando o título “Risk of hospitalization for covid-19 outpatients treated with various drug regimens in Brazil: Comparative analysis” (Risco de hospitalização para pacientes ambulatoriais de Covid-19 tratados com diversos regimes de drogas no Brasil: análise comparativa). “[…] este trabalho adiciona à crescente literatura de estudos que encontraram benefício substancial para o uso de HCQ combinado com outros agentes no tratamento ambulatorial precoce de Covid-19 e adiciona a possibilidade do uso de esteróides para aumentar a eficácia do tratamento”, defende a pesquisa. O grupo de pesquisadores observou 717 pacientes submetidos ao tratamento contra o novo coronavírus com a hidroxicloroquina e com a corticoide prednisona. Todos os observados no estudo possuíam 40 anos de idade ou mais. Após a prescrição dos medicamentos, a pesquisa apontou que houve uma queda de 50% a 60% nas hospitalizações dos infectados, pacientes estes que solicitaram emergência dos hospitais Hapvida Saúde no Ceará, Pernambuco e Bahia. “Como todos os tratamentos têm custos e benefícios, tratar todos os pacientes de alto risco precocemente exigiria um grande esforço do Sistema Público Universal (SUS) e de seus planos de saúde privados, mas seria muito menos caro do que o tratamento hospitalar, o que provavelmente seria impossível na escala necessária”, apontou o estudo, que não declarou uma conclusão definitiva sobre a utilização do medicamento. “No meio da pandemia de SARS-CoV-2, uma abordagem viável, com medicamentos baratos, baseando-se em sinais e sintomas sindrômicos em vez de escassos exames laboratoriais pode ajudar muitos pacientes e será ainda mais importante nos países em desenvolvimento”, defendeu o artigo científico.

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