Flávio Dino ameaça Forças Armadas em artigo na Carta Capital

Apontado com o maior beneficiário de um esquema que usava a Polícia Militar para espionar adversários nas eleições de 2018, o governador maranhense Flávio Dino (PSB) escreveu artigo de tom ameaçador às Forças Armadas neste fim de semana na Carta Capital. Em 2020 a revista que abriga o artigo de Dino esteve no centro de um suposto escândalo de corrupção no governo após um contrato de assinatura R$ 1,3 milhão para escolas públicas ser tornado público. O artigo do comunista começa com uma priva indiscutível da falta de caráter do governador maranhense. Ele afirma que “no início do século passado as forças policiais e as administrações públicas em geral eram usadas pelas oligarquias locais em benefício próprio”. O trecho é publicado três anos após o escândalo em que um ofício vazado da Polícia Militar do Maranhão ordenava a espionagem de adversários políticos do governador e poucas semanas após o ex-secretário de articulação política, Rubens Jr, conclamar secretários da pasta para a espionagem de prefeitos do interior. Prossegue Flávio Dino no artigo em relação a servidores públicos: “Cabe a esse servidor atuar de maneira impessoal em prol do interesse público, deixando de lado seus gostos pessoais e as afinidades políticas”. O governador fala de impessoalidade e desprezo por gostos “pessoais e afinidades políticas” dentro do serviço público um mês após usar as instalações do Palácio dos Leões para uma mini-convenção partidária. Na ocasião fora assinada carta compromisso com a candidatura do governador para o Senado em 2022. Impessoalidade? A impessoalidade de Flávio Dino no serviço público é parente direta da Mula Sem Cabeça e do Saci Pererê. Após uma saraivada de bobagens, que culminam com uma defesa bisonha da corrupção contra pessoas que se levantam contra este mal, que não competem ser explicitadas aqui (leia o artigo), Flávio Dino faz uma ameaça velada às Forças Armadas. Segundo o governador, os militares brasileiros esqueceram o significado das cores que vestem e os acusa de serem servis e submissos a partidos e “facções”. O artigo é finalizado com a “ameaça” de que a dita submissão dos militares será enfrentada com transparência. A tentativa de constranger as Forças Armadas em artigo publicado em uma revista comprada com verbas dos cofres públicos maranhenses é, de certo, uma prova da falta de caráter do governador.