
MARANHÃO, 02 de outubro de 2025 – O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) movimentou R$ 6,5 milhões em espécie entre janeiro de 2019 e junho de 2025.
A informação consta em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. As operações incluíram depósitos e saques em dinheiro vivo.
No total, o Sindnapi movimentou R$ 1,2 bilhão no período analisado. O Coaf classificou parte dessas operações como complexas pela dificuldade em rastrear a origem dos recursos e identificar os beneficiários finais.
Além disso, foram identificadas transações envolvendo pessoas físicas e jurídicas sem vínculos claros com o sindicato, o que dificulta a compreensão da legitimidade das operações.
O relatório também apontou repasses no valor de R$ 8,2 milhões para empresas ligadas a familiares do atual presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, e do ex-presidente João Batista Inocentini, conhecido como João Feio. Esses pagamentos ocorreram entre 2019 e 2025, incluindo o período em que Inocentini ainda estava vivo.
A investigação, conhecida como “Farra do INSS”, identificou o Sindnapi como uma das entidades mais beneficiadas por descontos em aposentadorias, ao lado da Contag. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), em uma amostra aleatória analisada, o sindicato não apresentou documentação completa de nenhum associado.
OPERAÇÃO SEM DESCONTO E EXPANSÃO DO SINDICATO
O Sindnapi é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A ação resultou na exoneração do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro Carlos Lupi.
Com autorização para aplicar descontos associativos há mais de uma década, o sindicato ampliou sua base de filiados nos últimos anos.
Entre 2021 e 2023, o número de associados cresceu de cerca de 170 mil para 420 mil, e o faturamento passou de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões, conforme levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU).







