
BRASÍLIA, 09 de março de 2026 – Reportagem publicada em janeiro de 2026 pela revista piauí afirma que a narcotraficante Karine de Oliveira Campos teria articulado pagamentos para influenciar decisões judiciais no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O material cita o desembargador federal Ney Bello como destinatário de parte dos valores.
Segundo a investigação jornalística da Edição 232 da revista, assinada pelo jornalista Allan de Abreu, os fatos surgiram a partir de apurações da Polícia Federal e de conversas interceptadas durante operações contra o tráfico internacional de cocaína.
Karine de Oliveira Campos, conhecida como “Rainha do Pó”, aparece na reportagem como responsável por coordenar um esquema de envio de cocaína para a Europa por meio de portos brasileiros.
Além disso, a matéria relata que a traficante movimentou grandes quantias em dinheiro para tentar interferir em processos judiciais que envolviam integrantes de sua rede criminosa.
INTERCEPTAÇÕES CITAM PAGAMENTOS
De acordo com a reportagem, mensagens e anotações apreendidas em investigações indicaram pedidos de recursos para influenciar decisões em tribunais. Em um manuscrito atribuído a Leonardo Costa Nobre, subordinado de Karine Campos, aparece a solicitação de dois milhões de reais destinados a dois desembargadores da Quarta Turma do TRF-1.
As conversas citadas também mencionam o nome do desembargador Ney Bello como possível contato dentro do tribunal. Segundo ligações interceptadas pela Polícia Federal, familiares de um investigado afirmaram que o advogado do caso teria repassado cerca de R$ 1,5 milhão ao magistrado para obter decisões favoráveis.
A reportagem afirma ainda que o esquema envolveria intermediários e advogados que buscavam benefícios judiciais para integrantes da organização criminosa. Entre os participantes citados aparece Ravik de Barros Bello Ribeiro, filho do desembargador Cândido Artur Medeiros Ribeiro Filho, também integrante do TRF-1.
INVESTIGAÇÃO E NEGATIVA DO MAGISTRADO
A Polícia Federal realizou buscas relacionadas ao caso em março de 2023 e apreendeu 270 mil reais em dinheiro na residência de Ravik Ribeiro, em Belo Horizonte.
O desembargador Cândido Ribeiro passou a ser investigado na Operação Habeas Pater, que apura suspeitas de venda de decisões judiciais envolvendo membros de facções criminosas.
A reportagem menciona ainda que o desembargador Ney Bello negou qualquer participação em esquema de corrupção ou ligação com os investigados. Em nota enviada à revista, o magistrado afirmou não possuir relação com o advogado citado nem com os fatos descritos na apuração.
O texto jornalístico indica que as suspeitas surgiram a partir de investigações sobre tráfico internacional de drogas liderado por Karine Campos. No material, o nome de Ney Bello aparece apenas nas menções feitas por investigados, enquanto o desembargador reiterou publicamente a negativa de envolvimento.







