
BRASÍLIA, 04 de agosto de 2026 — Os relatórios produzidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero descrevem uma atuação recorrente do senador Jaques Wagner (PT-BA) em temas considerados estratégicos para o antigo Banco Master e seus principais controladores, Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima.
A partir da análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos, documentos e proposições legislativas, os investigadores identificaram quatro eixos nos quais a atuação do parlamentar teria coincidido com interesses econômicos do grupo: a ampliação do crédito consignado; mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); a negociação para venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB); e a regulamentação do mercado brasileiro de créditos de carbono.
A análise integra uma série de Informações de Polícia Judiciária (IPJs) remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que reúne elementos obtidos durante a investigação sobre a atuação de executivos do Banco Master.
Segundo a PF, o objetivo foi confrontar a atividade legislativa desenvolvida por Jaques Wagner desde o início de seu mandato no Senado com o conteúdo das conversas mantidas por Augusto Lima e Daniel Vorcaro, buscando identificar eventual convergência entre iniciativas parlamentares e interesses privados do banco.
“A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta e indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”, aponta o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em sua decisão.
Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do senador Jaques Wagner não respondeu individualmente aos questionamentos encaminhados pela reportagem sobre cada um dos episódios descritos nos relatórios da Polícia Federal.
Foram encaminhadas apenas declarações dadas pelo parlamentar na sexta-feira (31), nas quais ele afirma estar tranquilo em relação às investigações e diz ter “certeza de que vai provar sua inocência”. Segundo Wagner, o caso segue o curso normal das instituições e ele confia que a apuração afastará as suspeitas.
A reportagem também buscou contato com a defesa de Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem (o espaço permanece aberto para manifestações).
Embora os investigadores afirmem não terem encontrado referências diretas para a maior parte das proposições analisadas, quatro temas aparecem de forma recorrente nas mensagens apreendidas e passaram a integrar o conjunto de elementos considerados relevantes para a investigação.







