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PF revela propina apelidada de ‘presentinho’ na Educação

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PF identificou diálogos sobre repasse de propina em contratos da Educação em cidades do Maranhão, envolvendo servidores e supostos intermediários do esquema.

BRASÍLIA, 10 de setembro de 2025 – A Polícia Federal (PF) identificou, em mensagens de celular, que integrantes de um suposto esquema de desvios de recursos da Educação em municípios do Maranhão se referiam à propina paga a servidores públicos como “presentinho”. As conversas integram relatório da corporação sobre o caso.

Segundo os investigadores, os repasses vinham principalmente de contratos públicos voltados para a aquisição de materiais didáticos. O diálogo entre dois intermediários mostra menção a um pagamento relacionado ao município de Estreito. Para a PF, esse episódio ilustra a prática adotada pelo grupo.

Em um áudio, um dos investigados afirma que seria necessário realizar o pagamento de Estreito “pra quando a gente for levar o presentinho da secretária, entregar pra ela antes da reunião”. Para os agentes, esse relato confirma o modus operandi da organização criminosa.

Outras conversas indicam valores cobrados em diferentes cidades. Em diálogo sobre Buriti Bravo, um intermediário comenta que “não teve cão que fizesse fechar nos 30”. O outro responde que “aqui é 25”, recebendo a concordância imediata do interlocutor.

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As investigações começaram após a apreensão de R$ 575 mil em espécie, em janeiro de 2022. O dinheiro era transportado pelos dois intermediários que aparecem nos diálogos analisados. Eles não apresentaram justificativas consideradas plausíveis pela PF sobre a origem do valor.

Na ocasião, os celulares dos suspeitos também foram apreendidos. As autoridades apontaram que já havia indícios de que o dinheiro teria origem ilícita. A análise do material confirmou a suspeita de que o esquema envolvia várias cidades do Maranhão, entre elas Caxias.

A apuração também incluiu suspeitas de pagamento de propina a funcionários públicos. Entre os citados estão o então prefeito de Caxias e atual secretário estadual de Agricultura, Fábio Gentil, e a deputada estadual Daniella. Ambos negam qualquer envolvimento.

Deflagrada em 19 de agosto, a Operação Lei do Retorno cumpriu 45 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos carros, joias, R$ 54 mil em espécie e um cheque de R$ 300 mil. Dois dias depois, a segunda fase elevou o número de mandados para 94.

Até o momento, cerca de R$ 2,5 milhões já foram apreendidos em dinheiro, cheques e veículos. Os investigados respondem por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 52 anos de prisão.

POSICIONAMENTOS DA DEFESA

Em nota, Fábio Gentil afirmou não ter envolvimento nas irregularidades e disse colaborar integralmente com a Justiça Federal. Ele declarou confiar no trabalho da PF e reafirmou compromisso com a transparência e a legalidade.

Já Daniella Meneses Jadão considerou “absurdas” as acusações. Ela disse não haver provas de irregularidade em sua conduta e reforçou que respeita o segredo de Justiça. A deputada declarou manter a consciência tranquila e garantiu estar à disposição das autoridades.

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