
BRASILIA, 22 de julho de 2026 — A Polícia Federal deve finalizar em agosto o inquérito sobre fraudes no Banco Master. A investigação apura um esquema para evitar a liquidação do banco. O objetivo seria facilitar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
O controlador Daniel Vorcaro está preso e será indiciado por suspeita de fraude bancária. O prejuízo estimado com a atuação do banco chega a R$ 50 bilhões.
Os investigadores também analisam a possível participação de políticos. Entre os nomes está o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Ele é suspeito de ter apresentado uma emenda para beneficiar o Master. A proposta elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O senador nega a acusação e diz que a emenda não foi feita para favorecer Vorcaro.
O centro da investigação é a venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master ao BRB. A negociação ocorreu por meio da empresa Tirreno.
A PF suspeita que parte desses ativos não existia ou não tinha lastro suficiente. Isso teria inflado artificialmente o valor da transação. Além disso, os investigadores descobriram o uso de fundos de investimento sem fiscalização do Banco Central. Essa estrutura serviu para criar uma falsa aparência de solidez financeira.
No momento da liquidação extrajudicial, o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa. Porém, as obrigações do banco superavam R$ 100 milhões. A PF também apura pagamento de propina ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Há suspeitas de que líderes do centrão pressionaram o BC para aprovar a venda.
A operação, no entanto, não foi autorizada. Daniel Vorcaro tentou dois acordos de colaboração premiada, mas ambos foram rejeitados pela PF e pela PGR.







