
IRÃ, 15 de janeiro de 2026 – As ações das autoridades iranianas deixaram 3.428 mortos e cerca de 20 mil detidos em 19 dias de protestos, segundo a ONG Iran Human Rights.
Os atos começaram em 28 de dezembro de 2025, em Teerã, quando a crise econômica motivou manifestações que se espalharam pelo país. A ONG afirmou que o uso de força letal ocorreu em várias cidades porque forças estatais recorreram a armamentos pesados para conter civis.
Além disso, a entidade destacou que as limitações de acesso à internet dificultam a coleta completa dos dados. A ONG também relatou que restrições impostas pelas autoridades interferem no acompanhamento dos episódios de violência, pois medidas semelhantes à lei marcial restringem a circulação noturna em diversas regiões iranianas.
Segundo informações divulgadas por organizações de direitos humanos, forças estatais utilizaram metralhadoras DShK e outros armamentos de grande porte entre 8 e 11 de janeiro.
Episódios de assassinatos em massa ocorreram enquanto tropas reforçavam a presença nas ruas. A ONG informou que agentes atuaram de maneira ostensiva durante esse período.
Além disso, o ministro da Justiça afirmou que qualquer pessoa detida entre os dias 8 e 11 seria tratada como criminosa.
A ONG relatou que essa postura ampliou as detenções e ocorreu após declarações do chefe do Judiciário, que defendeu rapidez nas sentenças. A entidade apontou preocupação com julgamentos sumários e possíveis condenações à morte.
ALERTAS SOBRE SENTENÇAS E DETENÇÕES
O diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, relatou que os testemunhos enviados por manifestantes mostram níveis extremos de violência. Ele afirmou que as autoridades agiram de forma coordenada durante a repressão. A ONG reforçou a necessidade de resposta internacional diante das obrigações legais ligadas aos direitos humanos no país.
Relatos enviados por vias alternativas de comunicação apontam que, mesmo com o bloqueio da internet, protestos continuaram de forma esporádica.
A TV estatal chinesa exibiu imagens de atos nas proximidades do bazar de Teerã na terça (13), e forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo contra manifestantes. A ONG afirmou que funerais de vítimas também viraram locais de novos protestos.
Segundo a ONG, atos ocorreram nas 31 províncias e em cerca de 190 cidades antes do bloqueio total da internet. Em Abdanan, o funeral de Alireza Seydi reuniu grande número de pessoas.
A ONG relatou que cidades de maioria curda enfrentam bloqueios e restrições severas. Escolas permanecem fechadas em Ilam, Dehloran, Kermanshah, Marivan, Saqqez, Baneh, Divandarreh, Dehgolan, Ghorveh e Sanandaj.
Além disso, pontos de controle foram instalados em vários locais dessas regiões, o que ampliou as limitações de circulação. A ONG informou que agentes reforçam a vigilância nessas áreas porque autoridades buscam conter novos focos de mobilização. As restrições se intensificaram após os primeiros registros de uso de força letal.
BLOQUEIO DA INTERNET E IMPACTOS NA APURAÇÃO
O bloqueio de internet iniciado às 22h do dia 8 segue ativo, e 99% da rede nacional permanece inacessível, segundo o NetBlocks. A ONG afirmou que apenas uma pequena parcela da população consegue se comunicar por meio de dispositivos Starlink.
Dessa forma, o fluxo de informações sobre os protestos no Irã continua limitado. A entidade destacou que essas restrições dificultam verificações independentes.







