
Há sinais cada vez mais preocupantes de uma tentativa de desmoralizar a imprensa local, enfraquecer sua credibilidade e criar um ambiente de intimidação justamente quando nos aproximamos de um período eleitoral.
O episódio envolvendo o jornalista Luís Pablo é apenas parte desse cenário. O problema não começa nele e certamente não termina nele.
O que está em jogo é muito maior.
Quando se constrói a ideia de que jornalistas são inimigos, de que denúncias são instrumentos criminosos e de que o exercício da imprensa precisa ser permanentemente colocado sob suspeita, cria-se o ambiente perfeito para deslegitimar antecipadamente tudo aquilo que vier a ser publicado.
E isso precisa ser denunciado. Precisa ser combatido com mais jornalismo!
Jornalistas respondem pelos seus atos como qualquer cidadão. Mas responsabilização individual é uma coisa. Transformar a imprensa em suspeita permanente é outra completamente diferente.
Às vésperas de uma eleição, isso se torna ainda mais grave.
É exatamente agora que jornalistas precisam ter liberdade para investigar governos, candidatos, contratos, patrimônio, relações de poder, uso da máquina pública e qualquer fato de interesse da sociedade.
Uma imprensa intimidada interessa a quem não deseja ser fiscalizado.
Uma imprensa desacreditada interessa a quem pretende transformar qualquer denúncia futura em “perseguição”, “chantagem” ou “crime” antes mesmo que seu conteúdo seja analisado.
Por isso, faço uma convocação aos jornalistas, radialistas, blogueiros, comunicadores, veículos e entidades representativas do Maranhão:
é hora de se manifestar.
Não em defesa de um jornalista específico. Não em defesa de uma linha editorial. Muito menos em defesa de eventuais erros cometidos por qualquer profissional.
É hora de defender uma instituição essencial à democracia: a imprensa livre.
O ativismo judicial também ameaça a liberdade de imprensa quando decisões ultrapassam os limites da lei e passam a intimidar o exercício do jornalismo. Nenhum poder pode estar imune à críticanenhum poder pode estar acima do escrutínio da imprensa, nem mesmo o Judiciário. A liberdade de imprensa é garantia constitucional, não concessão de autoridades.
Podemos disputar audiência, divergir politicamente e criticar duramente o trabalho uns dos outros. Mas não podemos assistir em silêncio à construção de um ambiente em que exercer o jornalismo se torne motivo de suspeita, constrangimento ou medo.
A tentativa de desmoralizar a imprensa precisa encontrar resistência na própria imprensa.
Que cada profissional se manifeste. Que cada veículo se posicione. Que nossas entidades abandonem o silêncio.
Porque o alvo circunstancial pode mudar.
O alvo permanente é o direito de informar.







