Humilhação em CPI

Nise pede indenização por danos morais contra senadores

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Médica Yamaguchi participou de sessão da CPI da Pandemia como convidada, mas, não apenas foi interrompida várias vezes, como também foi humilhada

A médica Nise Yamaguchi entrou com uma ação por danos morais em processo contra os senadores Omar Azis (PSD-AM), presidente da Comissão, e Otto Alencar (PSD-BA) por misoginia e humilhação durante sessão na CPI da pandemia no início de junho.

Defensora do tratamento precoce em pacientes com o novo coronavírus, a oncologista foi incluída na lista de investigados da CPI e associada a existência de uma suposta “assessoria paralela” que aconselharia o presidente da República, Jair Bolsonaro, a conduzir a gestão da pandemia. A defesa da médica tambpem solicita que a Procuradoria-Geral da República seja informada para analisar se os senadores cometeram crime de abuso de autoridade.

O comportamento dos parlamentares com Nise Yamaguchi, com interrupções, falta de respeito, invalidação de respostas corretas, embora resumidas através de definições simples, foi motivo de uma nota de repúdio à CPI da Pandemia, escrita pelo grupo “Médicos pela Vida”. A assessoria de imprensa de Otto Alencar respondeu que o político ainda não foi notificado, enquanto Omar Azis não se posicionou.

Neste domingo (20), Nise Yamaguchi publicou uma carta aberta sobre a situação. Confira:

“São notórios e de conhecimento nacional o desrespeito e a humilhação por mim sofridos durante o depoimento prestado à CPI da pandemia no Senado Federal no dia 1º de junho de 2021.Médica há mais de quatro décadas, nunca imaginei passar por situação parecida. É triste perceber que, na Casa do Povo Brasileiro, mesmo após décadas de evolução, ainda se perpetuem comportamentos misóginos.

Por diversas vezes, tive minhas falas e raciocínios interrompidos. Ignoraram meus argumentos e atribuíram a mim palavras que não pronunciei. Não foi por falta de conhecimento que deixei de reagir, mas, sim, por educação. Não iria alterar a minha essência para atender a nítidos interesses políticos.

A partir daquele momento, passei a ser extremamente vilipendiada nas redes sociais com agressões em tons ameaçadores, o que é muito preocupante para um estado democrático.

Não faço parte de nenhum partido político. Atuei nos últimos cinco governos como colaboradora eventual, pelo bem da saúde do Brasil e do mundo, sendo que entre 2007 e 2011, participei oficialmente do gabinete do Ministério da Saúde. Meus principais trabalhos foram em ações de controle do tabaco, tratamento personalizado e de precisão do câncer, dentre outros afazeres de compliance e governança.

Agradeço o apoio do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal e às inúmeras manifestações de apoio de entidades de classe e de apoio à mulher e ao idoso. Atendo os meus queridos pacientes em Brasília e em São Paulo e deles, de suas famílias e dos colegas, tenho recebido um reconfortante apoio.

Na qualidade de mulher e de idosa, optei por entrar com uma ação judicial contra os senadores Omar Aziz e Otto Alencar, como uma medida para restaurar minha integridade e a de diversos outros médicos brasileiros, os quais também foram afetados com os discursos proferidos pelos parlamentares naquele dia.

Todos os valores ganhos com a causa serão revertidos a hospitais que tratem de crianças com câncer.”

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