TRAMA JUDICIAL

Ney Bello nega venda de sentença e se diz vítima de advogado

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Ney Bello
Ney Bello afirma que foi vítima de tráfico de influência praticado por advogado investigado pela PF em apuração sobre suposta negociação de decisões judiciais.

BRASÍLIA, 10 de março de 2026 – O desembargador Ney de Barros Bello Filho, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), afirmou em mensagem enviada a magistrados da corte que foi vítima de tráfico de influência praticado por um advogado investigado pela Polícia Federal.

O caso envolve suspeitas de venda de sentença em favor de um traficante de cocaína. A manifestação ocorreu após a divulgação de interceptações telefônicas relacionadas ao caso.

O magistrado citou o advogado João Paulo Todde Nogueira, alvo de investigação da Polícia Federal, que apura a suposta compra de decisão judicial no TRF-1. Ney Bello declarou que o advogado teria afirmado a terceiros que havia pago dinheiro ao desembargador, o que, segundo o magistrado, não ocorreu.

A declaração foi feita em um grupo de WhatsApp com integrantes do tribunal. Na mensagem, o desembargador comentou diálogos divulgados pela revista Piauí e afirmou que foi alvo de uma tentativa de tráfico de influência.

Segundo o magistrado, o advogado investigado teria dito a outro traficante de drogas que havia pago “uma beirada” para obter decisão favorável. Ney Bello afirmou que essa informação seria falsa e classificou a situação como “venda de fumaça”.

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Além disso, o desembargador declarou que não conhece o advogado investigado e que nunca julgou processos patrocinados por ele. O magistrado também afirmou que não possuía jurisdição no processo citado nas conversas interceptadas pela Polícia Federal.

Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal e divulgadas pela revista Piauí mostram que a irmã do traficante Leonardo Costa Nobre, identificada como Juliana, conversou com o irmão enquanto ele estava preso. A ligação ocorreu a partir do escritório do advogado investigado.

Durante a conversa, a mulher afirmou que o advogado teria relação com o desembargador Ney Bello. Ela também declarou que o magistrado receberia parte de valores ligados ao suposto acordo mencionado nas conversas.

Segundo o diálogo citado na reportagem, o advogado teria informado que pagou cerca de R$ 1,5 milhão ao magistrado. A publicação, no entanto, destacou que não ficou claro em qual contexto esse pagamento teria sido mencionado nas conversas interceptadas.

DESEMBARGADOR NÃO É INVESTIGADO

A reportagem da revista Piauí afirma que Ney Bello não é investigado pela Polícia Federal no caso. O magistrado aparece apenas nas conversas interceptadas entre pessoas investigadas no inquérito.

De acordo com a publicação, o alvo da investigação é o advogado João Paulo Todde Nogueira. A Procuradoria-Geral da República apresentou acusação criminal contra ele por tráfico de influência e outros crimes relacionados ao caso.

Na mensagem enviada aos colegas, o desembargador também mencionou a repercussão do caso no Maranhão, estado onde nasceu. Ele afirmou que reportagens e publicações em redes sociais teriam sido divulgadas em meio a disputas políticas locais.

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Conde

É quase pedir para o réu levantar a mão e dizer: “sim, fui eu mesmo”. Aqui, a negação virou patrimônio cultural: todo escândalo começa com “não tenho nada a ver” e termina com “sou vítima de perseguição”.

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