
MARANHÃO, 12 de março de 2026 – O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis práticas de nepotismo cruzado, existência de servidores fantasmas e irregularidades na transparência administrativa nas prefeituras de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues.
A portaria que determina a abertura da investigação foi assinada pelo promotor de Justiça Aarão Carlos Lima Castro, titular da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lago da Pedra, e publicada nesta quinta (12).
De acordo com o Ministério Público, a investigação teve início após uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do órgão, relatando a possível existência de nomeações de parentes entre as duas administrações municipais.
Essa prática, conhecida como nepotismo cruzado, ocorre quando gestores públicos nomeiam familiares um do outro para cargos em suas respectivas administrações, sendo vedada pela legislação brasileira.
Segundo a denúncia, familiares do prefeito de Lago do Junco, Ataide Miranda Souza, conhecido como Ataide do Posto, estariam vinculados à folha de pagamento da Prefeitura de Lago dos Rodrigues.
O município vizinho é comandado por Raimundo Alves Carvalho, o Didi Moita, e a suspeita é de que haveria uma troca de favorecimentos entre os dois gestores.
Entre os nomes citados na denúncia estão Antônio Borges de Souza Filho, Arnaldo Miranda Souza e Eliane Miranda Souza, todos apontados como parentes do prefeito de Lago do Junco.
O MPMA também apura a possibilidade de contratações recíprocas entre os municípios, além da eventual existência de servidores que estariam recebendo salários sem exercer efetivamente suas funções.
Como parte das primeiras diligências, o Ministério Público solicitou aos municípios documentos que comprovem os vínculos funcionais dos investigados. A lista inclui portarias de nomeação, fichas financeiras, currículos, comprovantes de escolaridade, folhas de frequência e relatórios de atividades dos supostos servidores.
Também deverão ser colhidos depoimentos de servidores das secretarias de administração das duas prefeituras. O objetivo é verificar se os nomeados eram vistos no exercício das funções ou se, de fato, tratava-se de servidores fantasmas, uma prática que configura grave irregularidade administrativa.







