TERRA EM DISPUTA

MPF aciona Justiça por terras indígenas no Maranhão

Andre Reis
Compartilhe
MPF Maranhão
MPF ingressou com ação contra União, Funai, Ibama, governo do Maranhão e município de Fernando Falcão para proteção das terras indígenas Porquinhos e Kanela.

MARANHÃO, 26 de maio de 2026  O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para obrigar União, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ibama, governo do Maranhão e município de Fernando Falcão a adotarem medidas de proteção às terras indígenas Porquinhos e Kanela, no Maranhão, em ação movida para garantir segurança territorial.

A iniciativa foi assinada pela procuradora da República Anne Caroline Aguiar e teve início em investigações abertas em 2023, após denúncias do Conselho Indigenista Missionário no Maranhão, que relatou invasões e atos criminosos nas comunidades indígenas Memortumré-Kanela e Apãnjekra-Kanela.

O MPF afirma que as comunidades enfrentam invasões, presença de madeireiros, extração ilegal de madeira e avanço de atividades agropecuárias, com registros de incêndios em roças, danos a moradias e aumento de invasores não indígenas, além de pressão sobre os territórios indígenas.

Segundo os relatórios, a Terra Indígena Porquinhos esteve entre as áreas mais desmatadas do país em 2023, com aumento do desmatamento no Cerrado, uso de agrotóxicos, redução da fauna, contaminação de rios e abertura de estradas ilegais.

O órgão também aponta que cerca de 12 fazendas incidem total ou parcialmente sobre áreas reivindicadas sem consulta prévia, o que violaria a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige consulta livre, prévia e informada.

Na ação, o MPF solicita que os órgãos apresentem, em até 30 dias úteis, um plano emergencial com ações coordenadas, cronograma, medidas concretas e mecanismos de monitoramento para proteção das terras indígenas Porquinhos e Kanela.

O órgão também pede a suspensão imediata de licenças e autorizações para atividades agrossilvipastoris na Terra Indígena Porquinhos, ou a comprovação de cancelamento desses atos pelo governo do Maranhão, diante de possível falta de competência legal.

Além disso, o MPF aponta omissão dos órgãos responsáveis na fiscalização e na adoção de medidas contra invasões e desmatamento, e afirma que a situação representa violação contínua de direitos fundamentais das comunidades.

SITUAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS

A Terra Indígena Kanela já possui reconhecimento oficial, enquanto a Terra Indígena Porquinhos tem área demarcada, mas ainda enfrenta disputa pela ampliação do território tradicionalmente ocupado.

Ao final da ação, o MPF solicita ainda a criação de uma instância permanente de articulação entre governo e comunidades indígenas, além de medidas contínuas de proteção territorial, retirada de invasores e reforço da fiscalização ambiental.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x