CONFLITOS DE INTERESSE

Ministro acumulou vínculos com firmas sancionadas pela União

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Ministro turismo
Empresas ligadas ao ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, somam dívidas com a União e sofreram sanções do governo federal. O total chega a R$ 3 milhões.

BRASÍLIA, 23 de janeiro de 2026 – Empresas ligadas ao ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, somam dívidas com a União e sofreram sanções do governo federal. O total chega a R$ 3 milhões. A apuração é do jornal O Globo. Feliciano assumiu a pasta com orçamento de R$ 3,5 bilhões.

O Ministério da Educação (MEC) descredenciou, em novembro de 2025, a Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal. O processo começou em setembro de 2025. A instituição tinha cursos de administração, Direito e enfermagem. O MEC proibiu novos pedidos de credenciamento por dois anos.

Outra instituição ligada ao ministro, a Faculdade de Campina Grande (Unesc-PB), está inoperante ao menos desde 2024. Em julho de 2025, o MEC suspendeu a unidade do Fies por falhas no envio de dados ao Censo da Educação Superior. O cadastro do e-MEC ainda indica Feliciano como diretor-presidente da mantenedora Unesc-PB.

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Passivos, ações e relações familiares

A Unesc-PB aparece na dívida ativa da União com R$ 2,59 milhões. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) registra débitos previdenciários, multas trabalhistas e passivos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Há centenas de ações trabalhistas no TRT da 13ª Região. Processos citam atrasos salariais, rescisões e falta de recolhimentos.

Ex-professores relatam problemas desde 2012. Com a pandemia, a evasão aumentou. Em 2022, a base de alunos caiu para cerca de 300. No início dos anos 2010, eram cerca de 2,6 mil. Demissões ocorreram no período.

A família Feliciano também figura na Faculdade Unida da Paraíba (Unipb), mantenedora da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Natal. O ministro foi sócio e presidente da empresa.

O cadastro do MEC indica o irmão, Renato Feliciano, como representante legal. A Unipb tem R$ 334 mil inscritos na dívida ativa, em sua maioria por débitos trabalhistas. A empresa passou para o nome de Soraya Rouse Santos Araújo, secretária parlamentar do deputado Damião Feliciano, pai do ministro.

Ao Globo, Renato Feliciano afirmou que o ministro “não é mais sócio, nem representante legal das empresas” e que “as dívidas trabalhistas estão sendo todas negociadas caso a caso”. O ministro não respondeu aos contatos.

Construtora ligada ao ministro do Turismo também consta como devedora

Além do ensino, Feliciano atuou no setor imobiliário. Ele é sócio da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários, de Campina Grande. A PGFN registra cerca de R$ 200 mil em débitos, com predominância previdenciária. A empresa também passou para o nome de Soraya Rouse Santos Araújo.

Feliciano construiu relações políticas na Paraíba. Ele foi secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico entre 2019 e 2021. A indicação ao ministério contou com apoio do centrão.

Ele substituiu Celso Sabino, que retomou o mandato na Câmara.

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