
MATO GROSSO, 08 de agosto de 2025 – Uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal (PF) resgatou 563 funcionários em condições análogas ao trabalho escravo em Porto Alegre do Norte (MT).
O caso, revelado em 7 de agosto, ocorreu na construção de uma usina de etanol da empresa 3tentos, executada pela TAO Construtora. Entre os resgatados do trabalho escravo, a maioria era de Maranhão, Piauí e Pará.
Os trabalhadores dormiam em quartos de 12 m², com até quatro pessoas compartilhando um único ventilador e colchões deteriorados, sem travesseiros ou roupas de cama. A superlotação obrigava alguns a dormirem no chão.
A situação piorou com falhas no fornecimento de energia, que interrompiam o bombeamento de água, deixando-os sem higiene básica. Em protesto, operários incendiaram os alojamentos em 20 de julho, destruindo também a panificadora e a guarita da obra.
No canteiro de obras, havia exposição a poeira, falta de equipamentos de proteção e acidentes não registrados. A alimentação era insalubre, com relatos de larvas e alimentos estragados. Além disso, a empresa usava um sistema paralelo de jornada (“cartão 2”), com horas extras pagas “por fora” e turnos de até 22 horas, incluindo domingos.
O MPT negocia um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para garantir:
- Pagamento de rescisões, indenizações por danos morais e reembolso de despesas de deslocamento;
- R$ 1.000 por trabalhador pelos bens perdidos no incêndio;
- Correção das irregularidades na obra.
A TAO Construtora, que possui quatro obras em MT, alega colaborar com as investigações. Enquanto isso, os resgatados receberão seguro-desemprego especial e apoio para retorno às cidades de origem.







