
BRASÍLIA, 27 de fevereiro de 2026 – O governo Lula avalia reverter o aumento das tarifas de importação sobre eletrônicos e bens de capital, adotado no início do mês, após repercussão negativa. A medida elevou alíquotas de mais de 1,2 mil itens e pode gerar impacto estimado em R$ 14 bilhões no Orçamento.
As tarifas de importação passaram a variar entre 7,2% e 25%, com faixas intermediárias de 10%, 12,6%, 15% e 20%. A decisão estava prevista no Orçamento do fim do ano. Diante das críticas, integrantes do governo passaram a discutir alternativas e possíveis ajustes na política.
Na quarta (25), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o aumento das tarifas de importação, argumentando que a medida busca proteger a indústria nacional. Além disso, afirmou que a regra prevê revogação para produtos sem similar fabricado no país.
Segundo Haddad, eventual decisão de reverter as tarifas de importação cabe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O tema será debatido nesta sexta (27) pelo Gecex, comitê executivo da Câmara de Comércio Exterior, órgão vinculado ao MDIC.
Existe ainda mecanismo de transição que permite manter tarifa zero por 120 dias para determinados produtos, desde que setores solicitem e comprovem inexistência de similar nacional. Esse instrumento integra as regras relacionadas às tarifas de importação em análise.
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, fontes do governo avaliam que eventual revogação total ou parcial das tarifas de importação teria impacto fiscal limitado. Parte dos itens é produzida no Brasil e há mecanismos como o drawback, que reduz custos para exportadores.
A oposição intensificou críticas e comparou o episódio a debates anteriores, como a discussão sobre possível taxação do Pix no início de 2025 e a chamada “taxa das blusinhas”, aprovada pelo Congresso em 2024. Aliados do Planalto também mencionaram desgaste político associado a essas pautas.
Além disso, o ambiente político pode influenciar outras propostas da área econômica, como a possível cobrança de IOF sobre títulos isentos dos setores imobiliário e agrícola e o debate sobre o imposto seletivo previsto na reforma tributária.
Pesquisa divulgada pela Atlas na quarta (25) indicou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.







