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Lula amplia uso de sigilo e frustra promessa de transparência

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Lula sigilo
O presidente Lula iniciou o terceiro mandato prometendo transparência total. No entanto, o discurso descolou da prática, ampliando o uso de sigilo.

BRASÍLIA, 24 de julho de 2025 – O presidente Lula iniciou o terceiro mandato prometendo transparência total. No entanto, o discurso foi descolou da prática. Desde janeiro de 2023, o governo introduziu uma série de medidas que restringem o acesso a dados públicos e ampliam a aplicação de sigilos.

Entre os casos mais emblemáticos, estão omissões nas agendas de ministros, negativa de acesso a gastos com o presidente presidencial e recusa em divulgar dados do Alvorada. A gestão chegou a esconder compromissos da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.

Em maio de 2025, o Ministério da Gestão restringiu o acesso a mais de 16 milhões de documentos no sistema TransfereGov. A plataforma reúne dados sobre convênios públicos e transferências de verbos. A justificativa foi o risco de violação da Lei Geral de Proteção de Dados.

Contudo, a medida contrária parece da Advocacia-Geral da União (AGU), que conclui o bloqueio indevido. Depois da repercussão negativa, o governo retornou e liberou os arquivos. Segundo a pasta, o recuo ocorreu depois de uma consulta jurídica.

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A primeira-dama passou a ter suas atividades divulgadas apenas em abril deste ano, depois de nova recomendação da AGU. Dessa forma, a orientação incluiu a publicação de nomes de participantes de reuniões, viagens oficiais e despesas pagas com dinheiro público.

Até então, o Planalto alegava que Janja não exercia função pública e, por isso, estaria fora do âmbito da Lei de Acesso à Informação.

Entretanto, a restrição de dados não parou por aí. O governo negou o acesso à declaração de conflito de interesses entregue pelo ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, ao assumir a carga.

Também baru pedidos de informações sobre visitas dos filhos de Lula e sobre gastos com alimentação e transporte do presidente.

GOVERNO SUPERA BOLSONARO EM NÚMERO DE SIGILOS

Segundo levantamento oficial, entre janeiro de 2023 e 20 de dezembro de 2024, o governo solicitou 3.210 pedidos via LAI. A gestão, portanto, alegação de proteção de dados pessoais — o que, na prática, equivale à imposição do sigilo de cem anos.

O número representa aumento de 8,4% em relação ao mesmo período do governo anterior. Em resposta, a Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou dois novos anunciados em setembro de 2024.

Um deles prevê que, na ausência de prazo explícito, a restrição deverá durar 15 anos. Ainda assim, a decisão final segue nas mãos de cada órgão público, que pode ampliar ou reduzir o tempo de sigilo com base em interpretações da legislação.

Durante a eleição de 2022, Lula criticou duramente o sigilo imposto por Jair Bolsonaro. No entanto, depois de assumir a carga, a sua equipe manteve — e, em alguns casos, ampliou — o uso de restrições.

A CGU ainda admite que cada ministério define os critérios de divulgação, o que dificulta o controle da sociedade sobre o uso de recursos públicos.

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