BILHÕES EM CAUSA

Justiça do Trabalho paga R$ 50,6 bi e bate recorde em 2025

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Justiça do trabalho
Justiça do Trabalho pagou R$ 50,6 bilhões em 2025. O resultado acompanha o aumento das ações, que somaram 2,3 milhões, alta de 8,7% em relação a 2024.

MARANHÃO, 20 de março de 2026 – A Justiça do Trabalho pagou R$ 50,6 bilhões a reclamantes em 2025, maior valor da série histórica. O resultado acompanha o aumento das ações, que somaram 2,3 milhões, alta de 8,7% em relação a 2024. É o maior porcentual de aumento de um ano para outro desde a Reforma Trabalhista de 2017.

O avanço é atribuído à ampliação do acesso ao Judiciário, com decisões que facilitaram a concessão de gratuidade por autodeclaração. O cenário pressiona o caixa das empresas, que passaram a priorizar acordos para encerrar litígios com maior rapidez.

Segundo o advogado Ricardo Calcini, a queda inicial do número de processos depois da reforma ocorreu pelo impacto da nova lei. “A partir de 2021, quando o Supremo Tribunal Federal consolidou o acesso à Justiça, o número de ações voltou a subir”, afirmou ao portal Poder360.

Ele também sinalizou que divergências na interpretação da legislação elevaram os valores pagos, o que levou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) a fixar teses para orientar decisões.

De acordo com o TST, os acordos representaram 44,15% do total pago, somando R$ 22,4 bilhões. As execuções corresponderam a 43,6% (R$ 22 bilhões), enquanto os acordos espontâneos ficaram em 12,25% (R$ 6,2 bilhões).

A advogada Lia Ayub afirmou ao Poder360 que acordos extrajudiciais são alternativa para resolver disputas específicas, como horas extras e equiparação salarial, mas não garantem quitação total do contrato.

“Verbas não incluídas podem ser questionadas depois, o que representa risco para quem paga”, disse. Para Alipio Maria Júnior, o recorde reflete campanhas de conciliação e acordos homologados em juízo. Ele também afirmou ao portal que o uso de tecnologia e inteligência artificial acelerou julgamentos e execuções.

Segundo especialistas, regras que ampliaram o acesso à gratuidade também contribuíram para o aumento das ações. A advogada Estela Nunes disse que o sistema ainda incentiva a litigância. “A ausência de custos em caso de derrota é um dos principais fatores para o acúmulo de processos”, declarou.

Ela acrescenta que ferramentas de bloqueio e rastreamento de patrimônio tornaram as execuções mais eficazes, pressionando empresas a fecharem acordos para evitar cobranças forçadas.

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