
BRASÍLIA, 25 de março de 2026 – As investigações sobre o Banco Master no Congresso Nacional obtiveram resultados limitados até o final do primeiro trimestre de 2026. Parlamentares atuam sem uma comissão própria desde o final de 2025. Os presidentes das Casas negaram a instalação de colegiados de ampla repercussão em meio ao ano eleitoral.
Diante desse cenário, os parlamentares passaram a utilizar outros colegiados para investigar as atividades de Daniel Vorcaro. A CPMI do INSS, criada para apurar desvios de recursos de aposentados e pensionistas, direcionou seus trabalhos para o banco. O foco recaiu sobre fraudes na contratação de crédito consignado na previdência pública.
O INSS suspendeu 250 mil contratos de empréstimos consignados com o Banco Master, que somam R$ 2 bilhões. Além disso, o banco acumulou quase 15 mil reclamações sobre empréstimos consignados em plataforma do governo federal entre 2020 e janeiro de 2026.
CPMI APROVA QUEBRAS DE SIGILO
A comissão comandada por Carlos Viana (Podemos-MG) aprovou, em dezembro, a quebra de sigilo e a convocação de Daniel Vorcaro. A justificativa foi a necessidade de esclarecimentos sobre os contratos. Nos meses seguintes, a CPMI ampliou o escopo das investigações.
Foram aprovadas as oitivas de pessoas próximas a Vorcaro, como o ex-sócio Augusto Lima, o cunhado Fabiano Zettel e a ex-namorada Martha Graeff. A quebra de sigilo do próprio Banco Master também foi autorizada.
No entanto, parte desses esforços foi frustrada. Os convocados recorreram ao Supremo Tribunal Federal para evitar o comparecimento diante da comissão. Daniel Vorcaro foi um dos primeiros a obter esse efeito.
STF RESTRINGE ACESSO A DADOS
O ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, decidiu que o banqueiro não era obrigado a depor. Ele entendeu que Vorcaro, por ser investigado pela CPMI, podia escolher comparecer ou não. O banqueiro optou por não ir ao Senado, o que irritou parlamentares.
A demora da Polícia Federal em compartilhar as quebras de sigilo telemático de Vorcaro também incomodou a CPMI. Para contornar o processo, o colegiado solicitou arquivos diretamente à Apple. A empresa enviou dados brutos da nuvem do banqueiro, e o material foi armazenado em uma sala-cofre.
Quatro dias após a instalação da sala-cofre, o ministro André Mendonça retirou o acesso dos parlamentares aos dados. Ele considerou as informações sensíveis e suscetíveis a vazamentos.
Por fim, a advocacia do Senado orientou a cúpula da CPMI a limitar o acesso às quebras de sigilo apenas aos parlamentares.







